Por Paulo Figueiredo
O Bureau de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado americano emitiu agora uma dura crítica às ações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal brasileiro, marcando a primeira manifestação oficial da administração Trump sobre o caso que envolve a Rumble e a Trump Media & Technology Group.
“O respeito à soberania é uma via de mão dupla com todos os parceiros dos EUA, incluindo o Brasil. Bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas baseadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com os valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão”, afirmou o órgão em publicação no X.
A manifestação ocorre um dia depois de uma juíza federal da Flórida decidir que as ordens emitidas por Moraes não têm validade nos Estados Unidos e devem ser ignoradas pelas empresas americanas. Na decisão, a magistrada destacou que o ministro brasileiro violou tratados internacionais ao notificar diretamente empresas americanas sem utilizar os canais diplomáticos apropriados.
Esta é a primeira vez que o Poder Executivo americano, sob a administração Trump, se posiciona de forma clara e direta sobre as ações do judiciário brasileiro, especialmente no tocante às medidas de censura impostas por Alexandre de Moraes. A manifestação oficial indica uma mudança na postura diplomática dos EUA, sinalizando que as questões de liberdade de expressão e soberania digital serão tratadas como prioridade nas relações com o Brasil.
Tensão diplomática crescente
Fontes do Itamaraty haviam indicado ontem que o Brasil pressionaria o governo Trump e ameaçaria retaliações caso os “ataques” às decisões judiciais brasileiras continuassem. A nota do Departamento de Estado parece ser uma resposta direta a essas ameaças, sinalizando que a administração Trump não recuará na defesa das empresas americanas.
Em paralelo, o Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes aprovou hoje, com apoio bipartidário, o projeto de lei “No Censorship On Our Shores Act” (Lei de Não Censura em Nossas Costas), que prevê o cancelamento de vistos e impede a entrada nos EUA de autoridades estrangeiras que violem a liberdade de expressão de cidadãos americanos.
O conflito entre as plataformas americanas e o STF brasileiro agora ganha dimensão de política externa, com potencial para afetar diversos aspectos das relações bilaterais entre os dois países.
Respect for sovereignty is a two-way street with all U.S. partners, including Brazil. Blocking access to information and imposing fines on U.S. based companies for refusing to censor people living in the United States is incompatible with democratic values, including freedom of…
— Bureau of Western Hemisphere Affairs (@WHAAsstSecty) February 26, 2025