Gilmar critica aplicação da Lei Magnitsky e defende unidade no STF

Ministro diz que a Corte vai estudar medidas de reação caso sanções afetem cidadãos ou empresas brasileiras

O ministro Gilmar Mendes, decano do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta 2ª feira (25.ago.2025) que não há justificativa para a aplicação da Lei Magnitsky contra integrantes da Corte.

“Não tem nenhuma justificativa para a aplicação dessa legislação contra Alexandre Moraes ou contra qualquer outro colega que está cumprindo as suas funções”, disse. “Se houver necessidade, a jurisdição brasileira vai se manifestar”, disse em evento da Esfera Brasil, realizado em São Paulo. O grupo realizou o 3º seminário Brasil Hoje, no Hotel Tangará.

A legislação norte-americana permite a imposição de sanções a autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos ou corrupção. As pessoas sancionadas pela regra, como o ministro do STF, Alexandre de Moraes, não podem ter relação com empresas que atuem nos Estados Unidos. Caso o tenham, as empresas sofrerão penalidades.

Gilmar afirmou que o STF pode estudar medidas de reação caso sanções afetem cidadãos ou empresas brasileiras. Ele citou como exemplo a União Europeia, que discute leis “anti-embargos” para neutralizar efeitos de medidas unilaterais de outros países.

“Precisamos refletir sobre isso e dialogar com os atores econômicos e políticos que têm negócios com os Estados Unidos e que podem sofrer restrições”, disse. Para ele, o debate nasce de “um grande equívoco” e tende a perder força com o tempo.

Conflito entre ministros

Gilmar também comentou o atrito entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes exposto na última 6ª feira (22.ago.2025) durante seus discursos no 24º Fórum Empresarial do Lide, no Rio de Janeiro. Mendonça pregou “autocontenção” do STF e disse que bons juízes não devem ser reconhecidos pelo medo que causam, mas pelo respeito.

O decano evitou tomar partido, mas reforçou a importância da unidade: “Não podemos perder a noção de unidade da Corte, da institucionalidade da Corte. A Corte é forte como instituição.”

Para ele, o Supremo brasileiro é hoje uma das cortes constitucionais mais respeitadas do mundo. “Poderia estar chegando em Portugal ou Frankfurt para contar a história de uma debacle, como ocorreu na Hungria, na Polônia ou na Turquia. Mas felizmente apresento que a Suprema Corte brasileira salvou a democracia”, afirmou.

Ao rebater críticas sobre ativismo judicial, Gilmar mencionou decisões tomadas durante a pandemia, como a ordem para compra de vacinas. Ele disse que a atuação de Moraes e de outros ministros foi fundamental para evitar mais mortes.

“Se nós tivéssemos sido contidos, teríamos 700 mil mortos a mais. Isso é ativismo? Não. Isso tem total respaldo na Constituição, que consagra o direito à saúde”, declarou.

Bolsonaro e o TSE

Questionado sobre declarações do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sobre eventual reversão da inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, Gilmar descartou espaço para “brincadeiras”.

“A decisão do TSE sobre inelegibilidade já transitou em julgado. Não há espaço para discutir isso agora”, disse.

Crédito Poder360

compartilhe
Facebook
Twitter
LinkedIn
Reddit

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *