Investigação dos jornalistas David Ágape e Eli Vieira mostra a rede de contatos da Palver e do Instituto Democracia em Xeque
Uma investigação dos jornalistas David Ágape e Eli Vieira, responsáveis pela Vaza Toga 2, mostrou que o Instituto Democracia em Xeque (DX) e a empresa de tecnologia Palver têm ligações com o banco Itaú, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês). A parceria entre as entidades citadas e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi revelada por uma série de reportagens publicada por Oeste.
O DX e a Palver realizavam o monitoramento de redes sociais através de palavras-chave determinadas pelos servidores da Corte eleitoral.
O material rastreado incluía opiniões políticas, como a defesa do voto impresso. Como já mostrado na Vaza Toga 2, manifestações desse tipo foram usadas por Moraes para decidir sobre prisões no contexto do 8 de Janeiro.
Em 24 de setembro de 2022, um funcionário da Palver avisou ao grupo da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação: “Voto impresso e auditável perto de chegar no pico histórico”. Em outra mensagem, relatou aumento nas menções ao TSE e às urnas, feito dentro de um tribunal eleitoral.
Democracia em Xeque tem herdeira do Itaú em conselho consultivo
O DX tem em seu conselho Neca Setubal, herdeira do Itaú, apoiadora de Marina Silva em 2014 e integrante da transição do governo Lula 3. Sua fortuna é estimada em R$ 1,8 bilhão. O instituto participou de audiência convocada pelo Advocacia-Geral da União Jorge Messias e adota o jargão da “pesquisa em desinformação”, usado inclusive pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em decisões de censura.
O DX rotula como “extrema-direita” não apenas Jair Bolsonaro e sua base, mas também críticos da regulação das redes e portais de comunicação como a Oeste e a Gazeta do Povo, classificados como “mídia de reframe”.
Segundo Mike Benz, ex-funcionário de inteligência dos Estados Unidos, o DX atuou como intermediário de recursos entre a inteligência americana, a Usaid e projetos do TSE sob Alexandre de Moraes. O instituto recebe verbas da fundação alemã Heinrich Böll Stiftung (ligada ao Partido Verde), além das fundações Luiz Egydio e Tide Setubal. Também lista ONGs financiadas por Ford Foundation e Open Society.
O jornalista alemão Collin McMahon afirmou que a HBS é ligada ao Partido Verde, financia ONGs anti-Israel e a OLP e, só em 2023, recebeu 97 milhões de euros do governo alemão.
A colaboração da Palver com o TSE
O TSE firmou em 2022 o Termo de Cooperação 73 com a Palver, para monitorar redes e grupos públicos de WhatsApp. A Corte podia indicar palavras-chave como “urna eletrônica”, “voto impresso”, “Barroso”, “Fachin” e “Moraes”. A empresa se comprometeu a não dar publicidade aos relatórios.
Felipe Bailez (CEO) e Luis Fakhouri (estratégia) escrevem no jornal Folha de S. Paulo e afirmam ter acesso a “mais de 100 mil grupos de WhatsApp”. A Palver tem sede também em Delaware (EUA) e já prestou serviços a prefeituras paulistas.
O Centro Internacional de Jornalistas (ICFJ, na sigla em inglês) financiado por entidades como Usaid, NED, Departamento de Estado, fundações Gates e Soros e empresas como Meta, Google e Bloomberg, premiou Fakhouri em 2024 por um projeto ligado à agência de checagem Lupa, parceira da Palver. O projeto mapeava supostas “publicações falsas” que levaram aos atos de 8 de janeiro.
O ICFJ já intermediou repasses entre o governo americano e o Sleeping Giants, cujo fundador Humberto Ribeiro integra hoje o “Conselhão” de Lula.