BC alertou Master sobre riscos 1 ano antes da liquidação, mostra TCU

Banco Central monitorou a situação anteriormente e emitiu avisos à instituição financeira desde novembro de 2024

Relatórios confidenciais do Tribunal de Contas da União (TCU) revelam que o Banco Central alertou o Banco Master, de Daniel Vorcaro, sobre riscos de liquidez e possíveis sanções um ano antes da liquidação.

Os registros, publicados pelo jornal O Globo nesta sexta-feira, 9, mostram que os primeiros avisos ocorreram em novembro de 2024, com comunicações contínuas até setembro de 2025. Isso indica dificuldades do banco em captar recursos e honrar compromissos.

Segundo a Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros do TCU, o Banco Central monitorou de forma constante a situação do Master e emitiu alertas sobre a necessidade de medidas prudenciais, conforme resolução do Conselho Monetário Nacional de 2011. O órgão afastou as alegações do banco de que a liquidação teria sido precipitada.

Irregularidades financeiras tentativas do Master

A auditoria sugere que, durante cinco meses, o Master deixou de cumprir a obrigação de recolhimento de depósitos compulsórios ao Banco Central. Em abril de 2025, o BC notificou o banco sobre a ineficácia das ações adotadas até então para mitigar o risco de liquidez e exigiu a recomposição imediata por meio de um Termo de Comparecimento.

A partir de maio de 2025, a situação do Master se agravou. O banco solicitou ao BC a dispensa temporária da exigência de depósitos compulsórios, mas teve o pedido negado pela falta de respaldo legal. O BC também identificou graves irregularidades nas carteiras de crédito cedidas ao BRB, envolvendo artifícios contábeis e operações suspeitas, o que levou à comunicação dos fatos ao Ministério Público Federal.

Compra polêmica e intervenção judicial

Em março de 2025, o BRB anunciou a compra do Master por R$ 12 bilhões, celebrada pelo governador Ibaneis Rocha (MDB-DF), mas a Justiça Federal de Brasília considerou o negócio resultado de “pura camaradagem”. Em setembro de 2025, o BC vetou a aquisição e relatou à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal pressões políticas inéditas para salvar o Master.

No dia 4 de setembro de 2025, o BC exigiu nova recomposição de liquidez em dois dias úteis, prazo estendido até 30 de setembro por causa da venda da seguradora Kovr. A liquidação do Master ocorreu em 18 de novembro, por decisão unânime, depois de operação autorizada pela Justiça Federal que resultou na prisão de Daniel Vorcaro. Para evitar risco de fuga, a defesa apresentou documento do BC detalhando reunião realizada no dia da operação, o que garantiu sua soltura.

Revista Oeste

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