Medida foi tomada depois de aiatolá afirmar na televisão estatal que os manifestantes são “sabotadores”
Manifestantes ocupam as ruas de diversas cidades do Irã desde 28 de dezembro em protestos contra o regime e o alto custo de vida no país. Nesta 6ª feira, a internet no país foi cortada. A medida foi tomada depois que o aiatolá Ali Khamenei afirmou, na televisão estatal, que os protestantes são “sabotadores”.
As manifestações mais recentes foram realizadas em Teerã, Karadj, Mashhad, Babol, Kermanshah e Bandar-e Anzali. Em Teerã, os protestos começaram às 20h e se estenderam até meia-noite. Segundo a ONG IHR (Iran Human Rights), ao menos 45 pessoas morreram nos atos.
Segundo o jornal Le Monde, nas cidades de Karadj (30 quilômetros a leste da capital), Mashhad (nordeste), Babol (norte) e Kermanshah (oeste), os manifestantes gritavam: “Morte a Khamenei” e “Esta é a última batalha, Pahlavi retornará”, xá deposto em 1979 pela Revolução Islâmica.
Vídeos compartilhados nas redes sociais antes do corte de internet mostravam incêndios em construções pré-fabricadas, veículos policiais e portões de mesquitas em diferentes localidades do país. As forças de segurança responderam com gás lacrimogêneo e armas de munição não letal contra os manifestantes em Teerã.
ENTENDA
A situação econômica do Irã tem se deteriorado há anos com o encarecimento e a escassez desenfreada de produtos básicos, além da desvalorização crônica da moeda. De acordo com o Centro de Estatísticas, os preços, em dezembro de 2025, aumentaram, em média, 52% em comparação com o ano anterior.
O rial, moeda nacional, perdeu em 2025 mais de 1/3 de seu valor perante o dólar, enquanto a hiperinflação de 2 dígitos corrói o poder aquisitivo dos iranianos.
Mohammad Movahedi-Azad, procurador-geral do Irã, afirmou que “qualquer tentativa de transformar os protestos em um instrumento de insegurança, de destruição de bens públicos ou da instalação de cenários concebidos no exterior será inevitavelmente seguida de uma resposta firme”.





