Rubio diz que “era dos cheques em branco” para ONGs internacionais acabou

Declaração ocorre depois de Trump anunciar a saída dos EUA de mais de 60 entidades globais

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o país deixará de financiar e participar de organizações internacionais que, segundo ele, não entregam resultados, carecem de transparência ou atuam de forma contrária aos interesses nacionais norte-americanos. A posição foi apresentada em texto publicado no último sábado, 10, depois do anúncio do presidente Donald Trump sobre a retirada dos EUA de 66 entidades internacionais.

No artigo, Rubio sustenta que os EUA tiveram papel central na formação da ordem internacional contemporânea, desde a Doutrina Monroe até a criação das Nações Unidas, passando pela liderança na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e pelo papel de maior doador humanitário do mundo. Para o secretário, no entanto, parte desse sistema deixou de cumprir os objetivos originais. “O que chamamos de ‘sistema internacional’ está hoje dominado por centenas de organizações internacionais opacas, muitas com mandatos sobrepostos, ações duplicadas, resultados ineficazes e governança financeira e ética deficiente”, escreveu.

Rubio afirma que algumas instituições, mesmo aquelas que já tiveram funções consideradas úteis, “tornaram-se burocracias ineficientes, plataformas de ativismo politizado ou instrumentos contrários aos melhores interesses da nossa nação”. Segundo ele, além de não entregar resultados, essas entidades “obstruem a ação daqueles que desejam enfrentar esses problemas”.

O secretário declarou ainda que a política de repasses automáticos chegou ao fim. “A era de assinar cheques em branco para burocracias internacionais acabou”, afirmou. Ele disse que a decisão segue as conclusões do decreto de Trump que orientou a saída dos EUA de organizações classificadas como “desperdiçadoras, ineficazes e prejudiciais”.

ONU está entre os alvos de críticas de Rubio

No texto, Rubio cita exemplos específicos para justificar a posição do governo. Ele menciona “o longo histórico de violações éticas do Fundo de População das Nações Unidas, incluindo o financiamento de abortos coercitivos”, “a incapacidade da ONU Mulheres de definir o que é uma mulher”, o uso de recursos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima em “financiamento alarmista e anti-energia no Ocidente, na Cisjordânia e em Gaza”, e o Fórum Permanente da ONU sobre Pessoas de Ascendência Africana, que, segundo ele, defende “políticas abertamente racistas em apoio a reparações globais”.

Para Rubio, investir recursos públicos em instituições sem resultados mensuráveis representa falha de liderança. “Não é mais aceitável investir os dólares dos impostos arduamente conquistados pelo povo norte-americano em instituições que não conseguem demonstrar resultados, responsabilidade ou respeito pelos nossos interesses nacionais”, escreveu. Ele acrescentou que manter o financiamento a tais organismos “legitima um modelo que falhou para bilhões de pessoas ao redor do mundo”.

O secretário afirmou que a lista das 66 organizações foi definida depois de uma análise prolongada sobre finalidade, ações, eficiência, necessidade e contribuição aos interesses nacionais dos EUA. Segundo ele, o processo de revisão ainda continua e outras entidades poderão ser avaliadas.

Rubio ressaltou que a decisão não significa isolamento internacional. “Isso não quer dizer que a América esteja virando as costas para o mundo; estamos simplesmente rejeitando um modelo ultrapassado de multilateralismo, que trata o contribuinte norte-americano como o financiador de uma vasta arquitetura de governança global”, declarou. De acordo com ele, o governo pretende exigir “resultados reais” das instituições com as quais os EUA mantiverem vínculo e liderar um esforço de reforma.

Ao concluir o texto, Rubio afirmou que Trump deixou claro que não permitirá que organizações internacionais “minem a soberania nacional, a independência energética, a prosperidade econômica, a democracia e as liberdades constitucionais” do país. “Às vezes, a verdadeira liderança significa saber quando ir embora”, encerrou.

Crédito Revista Oeste

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