Toffoli e advogados do caso Banco Master têm amizade “de décadas”

O ministro mantém vínculos de mais de trinta anos com o criminalista Roberto Podval, responsável pela defesa de Daniel Vorcaro

Relações pessoais de longa data entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e advogados de investigados voltam a despertar questionamentos. O ministro Dias Toffoli mantém amizade de mais de trinta anos com o criminalista Roberto Podval, responsável pela defesa de Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao lado dos advogados Walfrido Warde e Pierpaolo Bottini.

No ano de 2011, Toffoli esteve presente no casamento de Podval na Ilha de Capri, evento que reuniu cerca de 200 convidados. A hospedagem dos amigos no hotel cinco estrelas Capri Palace foi custeada pelo noivo. Naquele período, Toffoli era relator de dois processos que contavam com a atuação de Podval como defensor dos réus.

Viagem à Itália e resposta de Toffoli às críticas

Depois de vir à tona a viagem de Toffoli à Itália, revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, o ministro alegou ter pago sua própria passagem aérea, e reafirmou que sua participação como relator nos casos era legítima e que a visita tinha “caráter estritamente particular”.

“Quem me conhece sabe que não faço e nem sei fazer lobby“, rebateu Podval à época. “Seria absurdo acreditar que convidei o ministro com interesse em alguma causa.”

Com o início das investigações sobre fraudes no Banco Master e a liquidação extrajudicial da instituição, Toffoli foi designado relator do caso no Supremo. Entre suas primeiras ações, determinou a transferência de todos os processos e inquéritos ligados ao banco para sua relatoria, além de impor sigilo total ao processo. O fundamento para retirar o caso da primeira instância foi o foro privilegiado de João Carlos Bacelar (PL-BA), citado de maneira secundária na denúncia.

Relações com outros advogados e empresários

Toffoli tem ainda vínculos com outro advogado relacionado ao Master, Augusto de Arruda Botelho, que atua na defesa de Luiz Bull, diretor do banco preso e depois liberado na operação Compliance Zero. Os dois viajaram juntos à final da Libertadores, no Peru, em jatinho pertencente a Luiz Osvaldo Pastore, empresário próximo de Toffoli que também é associado ao Master.

Debate sobre suspeição e providências legais

A legislação processual penal prevê que o juiz deve se declarar suspeito se houver amizade íntima com qualquer das partes, mas o Supremo Tribunal Federal não segue a lei orgânica da magistratura. Em 12 de dezembro, deputados de partidos de oposição protocolaram representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a suspeição de Toffoli no caso Master. Até o momento, a PGR não acusou recebimento do pedido.

Crédito Revista Oeste

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