Documentos públicos indicam uso de fundos offshore e levantam suspeita de controle indireto da instituição financeira
A Polícia Federal (PF) apura se aportes bilionários realizados por fundos ligados ao empresário Nelson Tanure tiveram como efeito prático a tomada de controle do Banco Master. As informações foram reveladas pelo jornal O Globo e integram a segunda fase da operação que investiga a instituição comandada por Daniel Vorcaro.
Segundo a apuração, desde 2020, fundos offshore associados a Tanure injetaram cerca de R$ 2,5 bilhões no banco por meio da compra de debêntures da Banvox. Essa empresa de participações mantinha como único ativo justamente o Banco Master. A estrutura dessas debêntures permite a conversão da dívida em ações, mecanismo que teria garantido influência decisiva sobre o capital da instituição.
A PF e o Ministério Público Federal (MPF) analisam documentos registrados na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp). Segundo levantamento do jornal, os registros mostram que o Master passou a adquirir participações em companhias nas quais Tanure tem interesse direto ou indireto, como Oncoclinicas, Alliança e Ambipar.
Estrutura societária ligada a Tanure sob suspeita
Os investigadores avaliam se a Banvox funcionou como instrumento para inflar o patrimônio do banco de forma planejada e fragmentada. Essa engenharia societária teria dificultado a identificação dos acionistas reais. Durante a operação desta quarta-feira, 14, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão contra Tanure no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio, no momento em que ele embarcava para Curitiba.
Dados reunidos pela investigação da PF indicam que o primeiro grande aporte ocorreu em dezembro de 2022. Naquele período, o Master possuía patrimônio estimado em R$ 600 milhões. A Banvox emitiu R$ 700 milhões em debêntures, adquiridas pelo fundo Estocolmo, ligado a Tanure, o que o colocou como principal financiador da empresa que capitalizou o banco.
Além do Estocolmo, outro fundo controlado pelo empresário, o Aventti, concentrava parcela relevante da Banvox. Juntos, os veículos somavam mais de 55% da companhia, reforçando a suspeita de domínio indireto do Master.
Em 2024, a Banvox passou por uma cisão societária. O laudo do processo indicou que a empresa detinha 22% do banco e que havia desembolsado R$ 2,5 bilhões por essa fatia. A avaliação implícita apontava valor total superior a R$ 11 bilhões para o Master.
A discrepância chamou a atenção dos investigadores. Em 2025, o BRB apresentou proposta para comprar 58% do banco por R$ 2 bilhões, o que colocaria o valor total da instituição em cerca de R$ 3,44 bilhões. Nesse cenário, os aportes atribuídos a Tanure representariam mais da metade do capital, condição compatível com controle acionário.
A PF busca esclarecer quem exercia, na prática, o comando do Banco Master e quem responde pelas eventuais irregularidades financeiras identificadas no caso.





