Banco Central decreta liquidação da Reag, suspeita de ligação com Master e PCC

O Banco Central decretou nesta quinta (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (DTVM), nova denominação da Reag Investimentos, investigada por suspeita de gerir fundos de investimentos com recursos do PCC e, mais recentemente, com o Banco Master.

“A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN (Sistema Financeiro Nacional)”, afirmou a autoridade monetária em nota (veja na íntegra mais abaixo).

Segundo o Banco Central, a CBSF detém menos de 0,001% dos ativos em corretoras. A empresa, ainda denominada como Reag, chegou a abrir capital na B3, a bolsa de valores de São Paulo, no começo do ano passado.

O ex-CEO da Reag, João Carlos Mansur, foi um dos alvos da segunda fase da operação Compliance Zero, realizada nesta quarta (14) pela Polícia Federal e que mirou parentes e aliados do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Em agosto do ano passado, a Reag entrou na mira da Polícia Federal pela suspeita de gerir fundos de investimentos utilizados pelo PCC, descobertos durante a Operação Carbono Oculto. A corretora, segundo as investigações, lavava dinheiro do tráfico de drogas através de um mecanismo de gestão dos recursos que ocultava a identidade dos clientes.

Em uma nota emitida logo após a operação, a Reag negou a gestão de fundos de investimentos citados pela investigação, afirmou que “colabora integralmente com as autoridades responsáveis” e que “permanece confiante no regular funcionamento das instituições e da justiça, com a certeza de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos”.

Após a operação, a Reag passou por uma reorganização societária e passou a se chamar Arandu Investimentos, conforme divulgado ao mercado em um fato relevante. Em contato com a reportagem, a gestora explicou que a Reag Capital, que era a holding do conglomerado, vendeu a Reag Investimentos para um outro grupo de executivos. Com isso, as operações se tornaram independentes e a Arandu afirma que não terá consequências com a liquidação determinada pelo Banco Central.

A apuração da Polícia Federal apontou que cerca de 40 fundos de investimentos, muitos deles sediados na Avenida Faria Lima, em São Paulo, conhecida como “coração” do mercado financeiro brasileiro, geriam recursos do PCC num montante avaliado em R$ 30 bilhões.

Apesar da liquidação da Reag, os fundos geridos por ela seguem ativos no mercado e apenas a instituição responsável pela administração é atingida pela decisão.

Corretora na mira do BC

Além da CBSF, o Banco Central decretou a liquidação judicial da Advanced Corretora de Câmbio Ltda., com sede em São Paulo (SP), mas sem apontar ligação entre as duas empresas.

“A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN”, pontuou a autoridade monetária.

Segundo o Banco Central, as operações da Advanced representaram 0,081% do volume financeiro e 0,14% da quantidade de operações de câmbio no país em 2025.

Veja abaixo o comunicado completo do Banco Central sobre a liquidação da CBSF DTVM, antiga Reag Investimentos:

O Banco Central do Brasil decretou nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (nova denominação de Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.), com sede em São Paulo (SP).

Trata-se de instituição enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional. 

A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN.

O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição.

Crédito Gazeta do Povo

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