O grupo empresarial da família mantém ligação indireta com o projeto Petrolera Roraima por meio de um parceiro comercial
Empresários brasileiros buscam ampliar sua atuação no setor energético venezuelano, impulsionados pelo interesse em reservas de petróleo estimadas em 1 bilhão de barris e por mudanças políticas recentes no país. O grupo liderado pelos irmãos Batista, controlador da maior empresa de processamento de carnes do mundo, acompanha de perto as oportunidades na Venezuela, principalmente depois do afastamento de Nicolás Maduro, no início deste mês.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, os Batistas mantêm ligação indireta com o projeto Petrolera Roraima por meio de um parceiro comercial. A participação foi adquirida em campos que anteriormente pertenciam à ConocoPhillips. A Fluxus, petroleira da família, avalia a possibilidade de integrar esses ou outros projetos assim que o ambiente de negócios estiver mais estável.
Expectativa dos irmãos Batista e cenário internacional
Em comunicado, a holding J&F SA declarou não possuir ativos em território venezuelano, porém observa atentamente os desdobramentos. “Uma vez estabelecido um cenário de estabilidade institucional e segurança jurídica, estaremos prontos para avaliar investimentos”, afirmou a empresa.
Desde a imposição de sanções pelos Estados Unidos, os Batistas adotam postura cautelosa no país. Os investimentos da família incluem a Pilgrim’s Pride, processadora de frangos dos EUA, o que reforça a cautela. Donald Trump, presidente norte-americano, acusou o governo venezuelano de ter “roubado” riquezas de empresas norte-americanas, mas não sinalizou reversão das nacionalizações.
O contexto favorece a atuação dos Batistas, enquanto empresas norte-americanas e europeias aguardam garantias para operar. No cenário pós-Maduro, Joesley Batista tornou-se figura relevante, tendo visitado Caracas na última semana para dialogar com a presidente interina Delcy Rodríguez.
Relações políticas e histórico de atuação
A família Batista consolidou relações com líderes políticos de diversas orientações. Em 2025, a Pilgrim’s Pride realizou a maior doação individual ao comitê inaugural de Donald Trump. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no ano passado, recorreu a Joesley Batista em negociações sobre tarifas com Trump.
Joesley Batista, de 53 anos, utiliza contatos estabelecidos na Venezuela para posicionar o grupo como pioneiro na recuperação do setor petrolífero local. Em dezembro, ele viajou ao país para sugerir a Maduro uma saída pacífica do poder. Os Batistas mantêm vínculos com a Venezuela desde meados dos anos 2000, quando assinaram contrato de US$ 2,1 bilhões com o governo Maduro para fornecimento de carne e frango, em meio à crise alimentar.
Diosdado Cabello, atual ministro do Interior e figura de destaque no governo venezuelano, intermediou esse acordo. Em 2024, o Ministério do Petróleo concedeu à A&B Investments, liderada por Jorge Silva Cardona, aliado dos Batistas, direitos de exploração por 25 anos no projeto Petrolera Roraima, antes operado pela ConocoPhillips.
Produção recente e novos interesses
Depois da entrada da A&B no projeto, a produção diária chegou a 32 mil barris entre junho e outubro, mas caiu depois do endurecimento das restrições norte-americanas às exportações de petróleo, segundo fontes. O campo foi referência em inovação no início dos anos 2000, quando refinarias especializadas transformavam petróleo pesado em 90 mil barris diários de óleo sintético mais leve e valioso.
A estatal PDVSA detém 51% do empreendimento, enquanto a A&B controla 49%. Segundo informações, os Batistas também analisam oportunidades nos setores de mineração e infraestrutura elétrica venezuelanos, de olho no cenário pós-Maduro.





