Possível decisão contava com apoio de colegas da Corte
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou a interlocutores que não pretende abandonar a relatoria do inquérito que investiga possíveis fraudes financeiras no Banco Master. Segundo relatos publicados pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira, 19, o ministro sustenta que não se enquadra nas hipóteses legais de impedimento ou suspeição previstas no Código de Processo Penal.
De acordo com a Folha, Toffoli disse que não há motivo de foro íntimo para se declarar suspeito e que situações descritas por críticos, como uma viagem em avião particular com advogado ligado ao caso ou a relação de seus irmãos com um fundo associado ao banco investigado, não comprometem sua imparcialidade. O ministro também avaliou que, caso deixasse a relatoria, todas as decisões já assinadas seriam automaticamente anuladas, o que faria a investigação retornar ao começo, o que invalidaria depoimentos, acareações e mandados de busca já cumpridos.
A atuação de Toffoli no caso tem sido criticada internamente por integrantes da Polícia Federal (PF), que consideram incomuns algumas de suas decisões, e por membros do Banco Central e da Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo o jornal. Entre os pontos citados estão a imposição de sigilo rigoroso à investigação, a realização de uma acareação durante o recesso do tribunal e mudanças sucessivas sobre a custódia e o acesso às provas.
O episódio mais recente envolve a escolha dos peritos responsáveis por analisar o material apreendido. Toffoli nomeou quatro profissionais de sua preferência, enquanto a PF defende ter a prerrogativa de definir os nomes. Também houve idas e vindas sobre quem deveria manter as provas sob guarda, primeiro no gabinete do ministro, depois na PGR e, por fim, com acesso autorizado aos peritos da PF.
Segundo a Folha, o presidente do STF, Edson Fachin, enfrenta um impasse interno sobre como lidar com o desgaste sem isolar colegas da Corte, enquanto permanece em silêncio sobre as condutas de Toffoli e do ministro Alexandre de Moraes. Moraes entrou no foco depois de reportagem de O Globo revelar contrato milionário do escritório de advocacia de sua mulher com o Master, o que ele nega ter influenciado sua atuação.
Toffoli sofre pressão interna no STF
A saída de Toffoli da relatoria do inquérito era tratada como um cenário provável dentro da Corte. Segundo apuração do jornal O Globo, havia avaliação interna de que o ministro dificilmente conseguiria permanecer à frente do processo.
De acordo com a reportagem, dois fatores centrais explicavam a pressão. O primeiro foi a sequência de decisões tomadas por Toffoli desde o começo do caso, algumas delas posteriormente revistas, o que gerou críticas entre integrantes do tribunal. O segundo foi a existência, na avaliação de ministros do STF, de um possível conflito de interesses entre o magistrado e pessoas ligadas a Daniel Vorcaro, controlador do Master.
Reportagens publicadas pela Folha e por O Estado de S.Paulo revelaram conexões entre um resort localizado no Paraná, pertencente a parentes de Toffoli, e fundos de investimento associados ao esquema investigado no caso. Esses vínculos passaram a ser citados internamente como elemento adicional de desgaste da relatoria.
Ainda segundo a apuração, nenhum outro ministro do STF havia se disposto a defender publicamente a permanência de Toffoli no caso. Diante desse cenário, diferentes alternativas passaram a ser discutidas nos bastidores. A hipótese considerada mais viável foi a de um pedido de afastamento feito pelo próprio ministro, sob alegação de problemas de saúde.
Caso a saída se concretizasse, o inquérito seria redistribuído por sorteio a outro ministro do STF. Conforme a mesma apuração, a defesa de Vorcaro trabalhava para que o processo ficasse sob a relatoria do ministro Nunes Marques. A eventual troca de relator era vista como um fator decisivo para os rumos da investigação, que envolvia suspeitas de irregularidades financeiras de grande impacto.





