O documento estabelecia a atuação da advogada no Banco Central, Cade, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Receita Federal, mas em nenhum deles há registros de sua participação
O contrato firmado entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e o Banco Master, com início em janeiro de 2024, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante três anos. O documento estabelecia a atuação da advogada em quatro órgãos do Executivo: Banco Central, Cade, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Receita Federal, mas em nenhum deles há registros de sua participação, segundo informou O Globo.
Apesar da previsão contratual, a presença de Viviane nos órgãos citados permanece sem confirmação oficial. A Receita Federal declarou que, depois de consultar as agendas de suas principais autoridades, não encontrou registros de reuniões que envolvessem a advogada.
Outras atribuições e operações em paralelo
Além disso, o contrato estabelecia que Viviane deveria organizar cinco núcleos de trabalho que envolvessem Judiciário, Legislativo, Executivo, Ministério Público e Polícia Federal. Em novembro do ano passado, a Polícia Federal realizou uma operação que resultou na prisão do executivo Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Na quinta-feira 15, Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, participou de uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente Lula (PT), Gabriel Galípolo, Paulo Gonet, Andrei Rodrigues, Geraldo Alckmin (PSB-SP), Wellington Lima e Silva e Alexandre de Moraes. Segundo Wellington, o Banco Master foi um dos temas tratados, mas a Secretaria de Comunicação Social da Presidência negou que esse tenha sido o foco principal do encontro.
À época, Alexandre de Moraes buscou Gabriel Galípolo pelo menos quatro vezes para defender interesses do Banco Master, com três contatos telefônicos e ao menos uma reunião presencial. Moraes justificou que abordou com o Banco Central questões relacionadas à Lei Magnitsky e negou que o escritório de Viviane tenha atuado na operação de compra do Master pelo BRB.
Registros oficiais e investigação sobre atuação de Viviane Barci
Consultada por meio da Lei de Acesso à Informação, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional afirmou que não há registro da entrada de Viviane em suas dependências entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025. Informações anteriores da colunista Malu Gaspar já revelavam que Banco Central e Cade também não possuem registros de acesso da advogada, apesar da previsão contratual de sua atuação nesses órgãos.
O Banco Central foi responsável pela análise da compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), transação de R$ 12 bilhões que foi barrada em setembro do ano passado. A Justiça Federal em Brasília classificou a negociação como resultado de “pura camaradagem”. O Cade afirmou que nem Viviane nem representantes do escritório Barci de Moraes participaram de reuniões para tratar da aquisição ou de outros temas ligados ao Master desde janeiro de 2024.
Paulo Gonet, reconduzido ao cargo de procurador-geral da República com apoio de Moraes, recebeu pelo menos dois pedidos para investigar a atuação do ministro em favor do Banco Master. Um dos pedidos, feito pelo advogado Enio Martins Murad, foi rejeitado no mês passado. Gonet argumentou que a “narrativa” sobre a suposta pressão de Moraes permanece “no campo das suposições” e declarou não haver “qualquer ilicitude” no contrato entre Viviane Barci de Moraes e o Banco Master.





