Ministros do STF defendem envio do caso Master à 1ª instância

A medida seria uma “saída honrosa” do magistrado Dias Toffoli da relatoria do caso

Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a defender o envio do caso do Banco Master à primeira instância como uma “saída honrosa” para o ministro Dias Toffoli, diante da crise de imagem enfrentada pela Corte. O relator, no entanto, resiste a deixar a condução das investigações. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

As críticas internas a Toffoli envolvem o rígido sigilo imposto ao inquérito, uma viagem de jatinho com advogado ligado ao caso e negócios que conectam familiares do ministro a um fundo associado ao Banco Master, revelados pela Folha.

Toffoli descarta abrir mão da relatoria. A interlocutores, afirmou não haver hipótese legal de impedimento nem motivo de foro íntimo para se declarar suspeito. O ministro também sustenta que, na primeira instância, haveria maior risco de vazamentos.

Ele admite, porém, que o futuro do caso pode depender do avanço das apurações, incluindo a possibilidade de desmembramento: o STF ficaria com autoridades com foro, e a Justiça Federal, com os demais investigados.

Atritos com a Polícia Federal no caso Master

A condução centralizada do inquérito gerou atritos com a Polícia Federal. Toffoli definiu a ordem e o conteúdo de depoimentos, determinou mais de 80 perguntas elaboradas por seu gabinete em uma acareação entre banqueiros e reduziu o cronograma de oitivas pretendido pela PF.

O ministro também escolheu, por conta própria, os peritos que analisarão provas da última fase da operação, decisão criticada pela associação de delegados da PF, que classificou a medida como “afronta às prerrogativas” da categoria.

Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero tem como principal alvo o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A investigação começou na Justiça Federal em Brasília, mas foi enviada ao STF depois da apreensão de um documento que menciona o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que tem foro privilegiado.

Outro inquérito, iniciado na Justiça Federal em São Paulo, também foi remetido ao Supremo e embasou a segunda fase da operação, deflagrada no último dia 14, que apura suspeitas de fraudes bancárias por meio de fundos de investimento.

Investigadores afirmam que, até agora, não há indícios de envolvimento de Bacelar nas fraudes. O deputado diz ter participado apenas de um fundo imobiliário na Bahia e que uma possível entrada de Vorcaro no negócio não avançou.

Diante disso, uma ala do STF avalia que Toffoli poderia devolver o caso ao primeiro grau, retirando o tribunal do centro da crise, afastando questionamentos sobre suspeição e preservando os atos já praticados.

Crédito Revista Oeste

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