Ao criticar os aliados regionais, o petista se queixou da falta de solidariedade ao ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a alfinetar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso proferido no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, que ocorre na Cidade do Panamá, nesta quarta-feira, 28.
Lula foi o segundo a discursar na abertura do evento, logo depois do presidente do país anfitrião, José Raúl Mulino.
Ao criticar os aliados regionais, o petista se queixou da falta de solidariedade ao ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, capturado durante uma operação militar dos EUA.
“Voltamos a ser uma região dividida, mais voltada para fora do que para si própria”, afirmou. “Permitimos que conflitos e disputas ideológicas alheios se imponham. As ameaças do extremismo político e da manipulação da informação se incorporam ao nosso cotidiano. Passamos de reunião em reunião, repletas de ideias e iniciativas que nunca saem do papel.”
“Nossas Cúpulas se tornaram rituais vazios, dos quais se ausentam os principais líderes regionais”, continuou. “Como resultado, a única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a Celac, está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente Petro.”
Sem citar nominalmente o presidente Trump, Lula condenou o que chamou de “intervenções militares ilegais na região” e afirmou que “a Celac não consegue produzir nem mesmo uma única declaração” contrária a essas operações que, segundo o petista, “abalam a região.”
Em outro trecho do discurso, Lula afirmou que “houve momentos em que os Estados Unidos souberam ser um parceiro em prol dos nossos interesses de desenvolvimento”, em referência ao governo do presidente Franklin Roosevelt.
Segundo o petista, “Roosevelt implementou uma política de boa vizinhança que tinha como objetivo substituir a intervenção militar pela diplomacia em sua política externa para a América Latina e Caribe.”
Lula reforçou ataques às redes sociais
Ainda em tom crítico à política do presidente Trump, Lula disse que “a história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem este hemisfério que é de todos nós”.
“A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos”, continuou. Roosevelt também defendia que deveríamos erigir um mundo com base no que chamou de quatro liberdades fundamentais para a defesa da democracia e dos direitos humanos.”
Ao enumerar as quatro liberdades fundamentais defendidas por Roosevelt, Lula citou a liberdade de expressão, mas fez uma ressalva contra o que chamou de “manipulação de dados e informações, como vemos hoje nas redes digitais”.





