Retomada do ano legislativo reacende pressão da oposição e amplia disputa política em torno do STF
O Congresso retoma seus trabalhos nesta segunda-feira, 2. O retorno chega marcado por uma pilha de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Alexandre de Moraes é o maior alvo das solicitações. Atualmente, a Casa mantém 45 pedidos de impeachment direcionados ao magistrado.
O volume pode crescer em curto prazo. Grupos de oposição preparam um novo requerimento, articulado fora do Senado, que deve ser protocolado nos próximos dias. A estratégia busca ampliar o impacto político, mesmo sem exigência formal de assinaturas mínimas.
Impeachment domina o debate político
Além de Moraes, os textos incluem outros integrantes do STF. Ainda assim, o ministro aparece de forma recorrente como foco central das críticas. Grande parte das representações permanece parada há anos. Os pedidos mais antigos datam de 2021. Nunca avançaram para análise efetiva. Durante esse período, o Senado rejeitou formalmente mais de uma dezena de requerimentos semelhantes.
A insatisfação da oposição ganhou força depois de decisões judiciais relacionadas a investigações de atos antidemocráticos. Parlamentares acusam Moraes de extrapolar funções ao conduzir inquéritos sensíveis, principalmente aqueles que envolvem lideranças políticas nacionais.
A articulação mais recente começou ainda no fim do ano passado. O grupo responsável pretende reunir amplo apoio para reforçar o discurso político, mesmo sabendo que a decisão final depende do comando do Senado.
Entre os pontos citados no novo pedido estão questionamentos sobre a conduta institucional do ministro. Em meio ao caso Master, também surgem referências a contatos com autoridades do sistema financeiro. Moraes confirmou diálogo com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, mas negou qualquer vínculo com temas ligados a bancos.
No comparativo interno do STF, Moraes lidera com folga o número de pedidos. Luís Roberto Barroso, que se aposentou, aparece em segundo lugar, com cerca de 20 representações. Gilmar Mendes surge na sequência, com pouco mais de uma dezena.
Os números englobam pedidos individuais e ações conjuntas contra mais de um ministro. Apesar da pressão crescente, analistas avaliam que a abertura de um processo de impeachment segue improvável. Ainda assim, o acúmulo de requerimentos mantém o tema vivo e aprofunda o embate entre Congresso e Supremo.





