Ditador bielorrusso oferece “ajuda” a Lula para as eleições de 2026

No poder há 31 anos, Aleksandr Lukashenko diz que pode garantir ‘ambiente pacífico’ em outubro

O ditador de Belarus, Aleksandr Lukashenko, ofereceu ajuda ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para garantir que as eleições de outubro ocorram em um “ambiente pacífico e tranquilo”. A declaração ocorreu nesta segunda-feira, 2, durante uma reunião com o embaixador brasileiro em Minsk, Bernard Klingl. Lukashenko, aliado de Vladimir Putin, afirmou que torce abertamente para que o petista permaneça no cargo depois de encerrado o pleito.

“Sinceramente, não os invejo, pois este é um momento desafiador”, disse o autocrata ao comentar o período político brasileiro. “Se necessário, faremos todo o possível para garantir que as eleições no Brasil ocorram no interesse do povo brasileiro. Se isso for preciso”, acrescentou Lukashenko. O ditador socialista controla Belarus desde julho de 1994 e coleciona acusações sistemáticas de fraude eleitoral para se manter no comando.

O histórico de Lukashenko é marcado pela repressão violenta a opositores e pelo silenciamento da mídia independente. Organismos internacionais, como a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa e o Departamento de Estado dos Estados Unidos, não reconhecem a legitimidade das eleições no país desde 2001. Relatórios diplomáticos afirmam que um “clima de intimidação e insegurança” marca os pleitos de Lukashenko e que as contagens de votos apresentam problemas graves.

Frase de ditador acontece em momento de tensão para Lula

Atualmente, o regime de Aleksandr Lukashenko mantém pelo menos 1.152 presos políticos, segundo dados do Centro de Direitos Humanos Viasna. Desde 2020, as autoridades bielorrussas intensificaram a perseguição contra qualquer forma de oposição política, forçando milhares de cidadãos ao exílio. O governo britânico e outras potências ocidentais condenam o país por violações flagrantes dos direitos humanos e pelo apoio logístico à invasão russa da Ucrânia.

A oferta de ajuda para o processo democrático brasileiro soa contraditória diante da realidade em Minsk. Enquanto o ditador fala em “ambiente pacífico”, seu governo é alvo de sanções por tortura e detenções injustas. O Itamaraty ainda não se manifestou oficialmente sobre as declarações. A aproximação de Brasília com autocracias do Leste Europeu tem sido alvo de críticas por causa do distanciamento das democracias liberais do Ocidente.

A fala do ditador ocorre em um momento de alta tensão geopolítica. O Brasil busca equilibrar sua atuação no Brics, com a pressão dos Estados Unidos para reduzir a influência de Moscou e seus satélites na América Latina. A torcida explícita de um regime acusado de fraudes eleitorais pela reeleição de Lula deve gerar novas reações da oposição no Congresso Nacional.

Crédito Revista Oeste

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