Holding tentou comprar o Banco Master em 2025
A Polícia Federal (PF) abriu, nesta quarta-feira, 4, um inquérito para investigar o grupo Fictor, que tentou comprar o Banco Master na véspera da liquidação do conglomerado financeiro. A apuração envolve quatro possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional.
Segundo a CNN, os crimes sob investigação incluem gestão fraudulenta, apropriação indébita financeira, emissão de títulos sem lastro equiparados a valores mobiliários e operação de instituição financeira sem autorização.
O grupo Fictor já era alvo de investigação preliminar, conforme apuração da emissora. No último domingo, 1º, o conglomerado entrou com pedido de recuperação judicial para obter prazo adicional para pagar dívidas e evitar a falência.
Proposta do Fictor antecedeu liquidação do banco
Em 17 de novembro de 2025, um dia antes da liquidação do Master, o Fictor anunciou que liderava um consórcio, com investidores dos Emirados Árabes Unidos, para adquirir o banco. Com a decisão do Banco Central (BC) de liquidar o Master no dia seguinte, a Fictor suspendeu a proposta.
De acordo com o portal g1, a negociação com o Fictor foi a última tentativa de Daniel Vorcaro, dono do Master, para evitar a liquidação do conglomerado. Antes disso, Vorcaro buscou o Banco de Brasília (BRB), cujo Conselho de Administração aprovou, em março de 2025, a compra de 58% do capital total do Master.
Quatro dias antes da aprovação, um parecer técnico do próprio BRB fez ressalvas ao negócio, conforme revelou a Folha de S.Paulo. Apesar dos alertas, a diretoria jurídica do banco concluiu que não havia ilegalidades jurídico-formais. A operação acabou barrada pelo BC em setembro, que posteriormente determinou a liquidação do Master.
Ainda segundo o g1, o BC já monitorava indícios de irregularidades na venda de carteiras de crédito do Master ao BRB, como a ausência de transferências bancárias que comprovassem a contratação de empréstimos. Técnicos da investigação identificaram o uso de CPFs reais nessas carteiras, o que pode gerar problemas de avaliação de crédito para cerca de 40 mil pessoas.
A CNN acrescenta que, no pedido de recuperação judicial, o Fictor afirmou que uma “crise reputacional” decorrente da tentativa de compra do Master agravou sua situação financeira. Até a véspera da liquidação do banco, o grupo teria recebido cerca de R$ 3 bilhões em aportes, dos quais aproximadamente 70% teriam sido retirados posteriormente, segundo a própria instituição.





