O sociólogo de esquerda Jessé Souza publicou vídeo nas redes em que atribuiu ao “lobby judaico” o financiamento do agressor sexual Jeffrey Epstein. A Confederação Israelita do Brasil (Conib) condenou o conteúdo e classificou as declarações como disseminação de ódio contra judeus.
No vídeo, Souza disse que Epstein seria “o produto mais perfeito do sionismo judaico” e reflexo de um suposto “supremacismo racial judaico e sionista”. Ele não apresentou provas.
Que absurdo este vídeo, @JesseSouzaecht! Um desfile de teorias conspiratórias, generalizações racistas e responsabilização coletiva que resgatam, quase palavra por palavra, tropos antissemitas historicamente dirigidos contra os judeus. Você não analisou um indivíduo específico… pic.twitter.com/vfYA2nGt4m— Matheus Alexandre (@matheuszaiyt) February 9, 2026
Depois de repercussão negativa, o sociólogo apagou o vídeo e publicou outro. Pediu desculpas por não ter diferenciado “lobbies sionista e judaico”, mas manteve críticas ao sionismo.
Entidades judaicas repudiam associação a Epstein
Em nota, afirmou repudiar discriminações e disse ter criticado uma “estrutura de poder”, não indivíduos. Também mencionou o que chamou de “silêncio” sobre o conflito envolvendo palestinos.
Para a Conib, Souza atribuiu responsabilidade coletiva aos judeus por crimes de Epstein. A entidade afirmou que o novo vídeo mantém ataques, agora direcionados a “sionistas”.
Segundo a confederação, o antissemitismo contemporâneo se manifesta sob a forma de antissionismo. A Stand With Us Brasil também publicou uma nota de repúdio ao vídeo do sociólogo.
A StandWithUs Brasil repudia veementemente o posicionamento antissemita do sociólogo Jessé Souza.
Na segunda-feira (9), o professor aposentado da Universidade Federal do ABC Jessé Souza chocou a sociedade brasileira, especialmente a comunidade judaica, ao publicar em suas redes… pic.twitter.com/OkUsgHqItJ— StandWithUs Brasil (@StandwithusBr) February 11, 2026
Jessé Souza presidiu o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada no segundo mandato de Dilma Rousseff. É autor de obras como A Elite do Atraso e A Classe Média no Espelho.
No dia 30 de janeiro, a Casa Branca tornou públicas cerca de 3 milhões de páginas ligadas à investigação contra Jeffrey Epstein. Em novembro de 2025, Donald Trump havia sancionado a lei que determinou a divulgação do material. A norma, chamada Epstein Files Transparency Act, foi proposta pelo deputado democrata Ro Khanna, da Califórnia.
Segundo o vice-procurador-geral Todd Blanche, o material inclui mais de 2 mil vídeos e 180 mil imagens, com “grandes quantidades de pornografia comercial”.




