Trump teria dito ao chefe: “Todo mundo sabia que ele vinha fazendo isso.”
Um ex-chefe de polícia de Palm Beach, na Flórida, que investigou Jeffrey Epstein em meados dos anos 2000, disse ao FBI que recebeu uma ligação de Donald Trump na época, na qual ele afirmou: “ainda bem que você está impedindo ele, todo mundo sabia que ele vinha fazendo isso”, segundo um relato do FBI sobre uma entrevista com o ex-chefe de polícia em 2019.
O Miami Herald foi o primeiro a noticiar o documento do FBI.
O presidente Trump negou repetidamente ter qualquer conhecimento dos crimes de Epstein e afirmou que rompeu relações com o ex-amigo há mais de 20 anos. Trump declarou que expulsou Epstein de Mar-a-Lago após descobrir que ele estava aliciando funcionários do spa do clube.
O nome do chefe de polícia — Michael Reiter — está ocultado no documento publicado no site do Departamento de Justiça, mas as informações contidas no relato do FBI correspondem a dados já conhecidos publicamente sobre o papel de Reiter na investigação iniciada em 2005.
Os detetives de Reiter investigavam Epstein por supostamente recrutar garotas de apenas 14 anos para prestar massagens que se tornavam de natureza sexual.
A informação sobre a suposta ligação de Trump compõe apenas uma pequena parte de um relatório de quatro páginas do FBI que resume o depoimento de Reiter em outubro de 2019, dois meses após a morte de Epstein.
“DONALD TRUMP disse a [Reiter] que expulsou EPSTEIN de seu clube. TRUMP ligou para o [Departamento de Polícia de Palm Beach] para dizer ‘ainda bem que você está impedindo ele, todo mundo sabia que ele vinha fazendo isso’”, afirma o relatório do FBI sobre a declaração de Reiter.
Democratas do Comitê de Supervisão da Câmara divulgaram fotos adicionais da propriedade de Jeffrey Epstein, incluindo imagens de Donald Trump e Bill Clinton.
A suposta ligação de Trump teria ocorrido em julho de 2006, por volta do momento em que os detalhes da investigação policial se tornaram públicos, segundo uma fonte familiarizada com o cronograma.
“TRUMP disse a ele que pessoas em Nova York sabiam que EPSTEIN era repugnante. TRUMP afirmou que MAXWELL era a operadora de EPSTEIN, ‘ela é maligna e deve ser o foco’”, continua o relatório. “TRUMP disse a [Reiter] que esteve com EPSTEIN uma vez quando havia adolescentes presentes e que TRUMP ‘saiu correndo dali’. TRUMP foi uma das primeiras pessoas a ligar quando se soube que estavam investigando EPSTEIN”, diz o relatório do depoimento de Reiter.
Um funcionário do Departamento de Justiça disse à ABC News, em nota, que a agência “não tem conhecimento de qualquer evidência corroborativa de que o presidente tenha contatado as autoridades há 20 anos”.
Na terça-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, não respondeu diretamente quando repórteres perguntaram sobre a aparente discrepância, reiterando apenas que o presidente expulsou Epstein de Mar-a-Lago e rompeu relações com ele.
Quando questionada novamente sobre se a ligação ocorreu, ela evitou responder.
“Olha, essa ligação pode ou não ter acontecido em 2006. Eu não sei a resposta para essa pergunta. O que estou dizendo é que o presidente Trump sempre afirmou que expulsou Jeffrey Epstein de seu clube em Mar-a-Lago porque Jeffrey Epstein era um sujeito repugnante. E isso continua sendo verdade”, disse ela.
O relato da suposta ligação de Trump a Reiter, conforme resumido no documento do FBI, não havia sido divulgado anteriormente. Reiter foi figura central na primeira investigação das autoridades sobre Epstein na Flórida.
Após divergências nos bastidores com promotores locais, Reiter tornou pública, em 2006, sua insatisfação com a decisão do promotor de levar o caso a um grande júri em vez de acusar Epstein diretamente.
Reiter pediu desculpas às vítimas pela forma como o caso foi conduzido pelo promotor e, em seguida, coordenou com autoridades federais o lançamento de outra investigação sobre Epstein, que acabou resultando no acordo de não persecução firmado em 2008. Reiter não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre o relato de suas declarações ao FBI.




