Aeronáutica mantém em reserva gastos operacionais e lista de passageiros; caso é questionado no TCU depois de viagem de Réveillon
A Força Aérea Brasileira (FAB) classificou como “reservados”, por cinco anos, os custos operacionais do voo que levou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para passar o Réveillon em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. A informação foi revelada pelo jornal O Globo com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).
O deslocamento ocorreu na manhã de 26 de dezembro. A aeronave partiu de João Pessoa e aterrissou no Aeroporto Santos Dumont no início da tarde, com 11 passageiros a bordo.
Embora tenha mantido em sigilo o custo total da operação, a Aeronáutica informou que as diárias pagas à tripulação somaram R$ 1,58 mil. Por se tratar de viagem nacional, o valor ficou abaixo do registrado em outro voo recente que envolveu Motta.
Também em dezembro, a FAB transportou o presidente da Câmara e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, para a primeira edição latino-americana do “Gilmarpalooza”, evento jurídico realizado em Buenos Aires. Na ocasião, em resposta à LAI, a Aeronáutica informou que as diárias da tripulação chegaram a US$ 1.935 — cerca de R$ 10,6 mil no total.
Além dos custos, a lista de passageiros do voo para Angra não foi divulgada pela Câmara. A Casa alegou que o uso de aeronaves oficiais envolve questões de segurança institucional, o que “impõe a necessidade de classificação sigilosa das informações”.
Motta e aliados passaram o fim de ano em um condomínio de alto padrão no Frade, em Angra, onde ficaram hospedados em imóvel alugado. O local conta, inclusive, com trilha interna que leva a uma cachoeira.
TCU abriu processo para investigar passageiros de viagem de Motta
A recusa em tornar públicos os nomes dos passageiros levou à abertura de processo no Tribunal de Contas da União. O subprocurador-geral Lucas Furtado apresentou representação para que a Câmara seja obrigada a divulgar a lista completa. Até o momento, o sigilo permanece.
A legislação permite que autoridades solicitem aeronaves da FAB sob justificativa de segurança. O uso para viagens de caráter privado, no entanto, é alvo de questionamentos éticos, por envolver recursos públicos.





