PGR alegou prazo curto para se manifestar sobre pedido da Polícia Federal (PF)
A decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de não solicitar a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, provocou críticas entre deputados e senadores. A Polícia Federal (PF) havia descrito ameaças atribuídas ao banqueiro e pediu sua detenção em representação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O pedido chegou ao gabinete do ministro André Mendonça. A PF relatou que Vorcaro teria ordenado ações violentas contra o jornalista Lauro Jardim e contra antigos funcionários ligados ao banqueiro.
Mesmo diante da solicitação dos investigadores, Gonet afirmou que o prazo para análise era insuficiente. O PGR alegou que o período disponível para manifestação era “de impossível atendimento”, por se tratar de um “prazo exíguo, contado em horas”.
“O encaminhamento dos autos acompanhado do pedido de cota do parquet envolve situações relacionadas a dez pessoas físicas e a cinco pessoas jurídicas, envolvidas em fatos de alta complexidade e se refere a pedidos de medidas drásticas, de mais intensa interferência sobre os mais elementares direitos fundamentais dos investigados”, respondeu Gonet.
Mendonça, no entanto, rejeitou o pedido de mais prazo. Ele afirmou que a representação da PF apresenta um “robusto quadro fático-probatório”.
Segundo o ministro, os indícios de irregularidades aparecem de forma clara nos autos. Ele destacou que as providências poderiam evitar possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos, de jornalistas e até de autoridades públicas.
Mendonça também mencionou indícios de acesso indevido a sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal e até da Interpol.
Deputados reagem à decisão de Gonet
Como resultado, parlamentares da oposição reagiram à decisão de Gonet. Ao portal UOL, a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) argumentou que, “se fosse ameaça de quebrar os dentes de um ministro do STF, Gonet teria pedido a prisão”. “Só troca [os alvos das ameaças] por um ministro”, destacou. “Os critérios que eles têm usado são esses.”
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) também criticou o procurador-geral. Nas redes sociais, compartilhou uma publicação que comparava a atuação de Gonet no caso do Master com investigações sobre uma suposta trama golpista que envolve aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Gonet resumido”, escreveu. “Tomou esporro do Mendonça e não foi à toa.”
Gonet resumido. Tomou esporro do Mendonça e não foi à toa. https://t.co/RNjb7b5suU— Marcel van Hattem (@marcelvanhattem) March 4, 2026
Sob condição de anonimato, um deputado governista afirmou ao UOL que Gonet estaria alinhado a um grupo de ministros do STF que teria proximidade com parlamentares ligados a Vorcaro.
Outra deputada governista disse ao portal que o receio demonstrado pelo PGR “mostra que a República está perto de cair”.





