Trump pressiona China por ajuda em Ormuz e ameaça cancelar visita

Chefe da Casa Branca é esperado em Pequim em 31 de março; governo chinês diz que “mantém conversas” sobre a reunião

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), disse no domingo que a China deveria ajudar a desbloquear o Estreito de Ormuz e que espera alguma sinalização para isso antes de sua viagem a Pequim em 31 de março. Em entrevista ao Financial Times, declarou que o encontro com o presidente chinês, Xi Jinping (Partido Comunista da China), pode ser adiado caso o governo chinês não se envolva no conflito.

Trump não especificou por quanto tempo o encontro pode ser adiado. O chefe da Casa Branca reforçou que a China seria uma das maiores beneficiadas com o desbloqueio, pois “90% do seu petróleo provêm do estreito”. Afirmou ainda ser “justo” que os países que se “beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça”.

A declaração de Trump exagera a dependência da China de Ormuz, mas a região é crucial para o país asiático. Os países do Oriente Médio são a origem de aproximadamente 40% das importações de petróleo da China.

O Estreito de Ormuz está fechado pelo Irã desde os primeiros dias da guerra contra EUA e Israel, que se iniciou em 28 de fevereiro. A região concentra cerca de 25% do fluxo comercial global de petróleo e seu bloqueio já fez disparar o preço do barril da commodity.

O bloqueio é a principal estratégia iraniana para fazer com que outros países pressionem os EUA a encerrar os ataques.

A China tem mantido distância da guerra no Oriente Médio e sua influência no confronto se mantém no campo diplomático. Desde o início das operações militares contra o Irã e das retaliações dos persas a outros países do Oriente Médio, a China pressiona por um cessar-fogo e condena as ações dos 2 lados.

O governo chinês não informou se pretende ajudar os EUA a liberar Ormuz ou se o encontro entre Xi e Trump pode ser adiado.

Nesta 2ª feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, declarou que o país considera que a reunião entre os chefes de Estado “desempenha um papel estratégico insubstituível nas relações entre a China e os EUA”. O porta-voz disse apenas que as partes ainda mantêm comunicação sobre a ida de Trump a Pequim.

PRESSÃO NA OTAN

A pressão de Trump por ajuda de outros países a liberar o estreito não se restringe à China. O norte-americano afirmou que entrou em contato com integrantes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) –aliança militar que inclui EUA, Canadá e 30 países europeus– para ter apoio militar no Oriente Médio.

Trump colocou em xeque o futuro da aliança militar caso receba uma resposta negativa. “Se não houver resposta ou se a resposta for negativa, acho que será muito ruim para o futuro da Otan”, disse o republicano.

Crédito Poder360

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