Levantamento da AtlasIntel revela que o tema atingiu 59,9% das menções em março
A corrupção na gestão pública assumiu o topo das inquietações nacionais neste mês. Dados da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, publicados nesta quinta-feira, 26, mostram que 59,9% dos cidadãos consideram a corrupção o principal problema do país. O índice registrou um salto de 5,6 pontos porcentuais na comparação com o levantamento de fevereiro, isolando o tema como o fator de maior peso na percepção popular.
O relatório associa essa dominância na agenda pública à reta final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social. A exposição de irregularidades nas instituições agiu como o principal vetor para o crescimento do tema, que deve ditar o ritmo das campanhas eleitorais para o pleito geral de outubro.
O sentimento de indignação com desvios éticos supera, no momento, as angústias relacionadas à segurança e ao custo de vida. O escândalo do banco Master, que revelou possíveis relações entre as irregularidades da instituição e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), também contribuem para o clima.
Comparativo entre os indicadores
Embora a corrupção lidere com folga, a criminalidade e o tráfico de entorpecentes permanecem como preocupações críticas para 53% dos entrevistados. O número apresentou uma oscilação mínima em relação aos 53,3% registrados anteriormente, mas mantém um patamar elevado.
Logo que o foco se desloca para as questões financeiras, o estudo aponta que 24,9% da população se diz apreensiva com a economia e a inflação — um aumento de 5,7 pontos na comparação mensal.
O ranking de prioridades do brasileiro segue com a situação da saúde pública (18,6%), a violência contra o público feminino (14,9%) e o cenário de polarização política e extremismo (13,1%). Na base da lista, com os menores índices de citação, aparecem as condições de infraestrutura em estradas e portos (0,7%), a mudança de valores tradicionais (1,1%) e a conduta das forças policiais (3%).
Metodologia do levantamento
O instituto consultou 5.028 indivíduos entre os dias 18 e 23 de março. A coleta de dados utilizou o método de recrutamento digital aleatório, garantindo um nível de confiança de 95%. A margem de erro do estudo é de um ponto porcentual, para mais ou para menos. Os resultados confirmam que a integridade das instituições se tornou o ponto central da cobrança social em um ano de definições políticas decisivas para o país.





