Trump determina pausa de 10 dias em ataques a usinas iranianas

Suspensão atende a pedido do Irã e vale até 6 de abril; esta é a 2ª pausa determinada pelo presidente dos EUA em menos de 1 semana

O presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), determinou suspensão temporária, por 10 dias, de ataques a instalações energéticas iranianas. A medida foi anunciada pela Casa Branca nesta 5ª feira e terá validade até 6 de abril, às 20h (horário de Washington, 21h em Brasília).

Segundo Trump, a decisão atende a um pedido do governo iraniano e baseia-se no progresso das negociações. “As conversas estão avançando e, apesar de declarações errôneas da mídia de fake news, elas estão indo muito bem”, afirmou o republicano.

A suspensão dos bombardeios ocorre enquanto os 2 países mantêm negociações. Esta é a 2ª pausa determinada pelo presidente dos EUA em menos de uma semana. Na 2ª feira (23.mar), Trump havia dito que o país iria “adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestruturas energéticas” do Irã por 5 dias.

A decisão reforça uma mudança significativa na posição de Trump, que antes havia afirmado que não negociaria com os iranianos e chegou a dar um ultimato ao país persa, no sábado (21.mar), exigindo a liberação do estreito de Ormuz em 48 horas, sob ameaça de destruir as usinas de energia do Irã.

A passagem, vital para o transporte de 25% da produção global de petróleo, foi bloqueada pelo Irã em resposta aos ataques de EUA e Israel, que mataram o líder supremo, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro.

AMEAÇA À dessalinização

Em contrapartida ao ultimato anterior de Trump, a Guarda Revolucionária disse que iria fechar o estreito indefinidamente se os EUA bombardeassem a infraestrutura energética do país. O porta-voz do Quartel-General Central Khatam Al-Anbiya, Ebrahim Zolfaqari, afirmou que a resposta incluiria 4 medidas imediatas:

  • fechamento completo de Ormuz;
  • ataques amplos contra usinas de energia, infraestrutura energética e redes de tecnologia e comunicações de Israel;
  • destruição de empresas similares na região com acionistas norte-americanos;
  • ataque a usinas de energia em países do Oriente Médio que hospedam bases dos EUA.

A ameaça iraniana também alcança plantas de dessalinização, estruturas essenciais para o abastecimento de água e infraestruturas petrolíferas em todo o Golfo Pérsico caso suas usinas sejam atingidas. A dependência de água dessalinizada na região é crítica:

  • Kuwait – 90% da água potável vem de dessalinização;
  • Omã – 86%;
  • Israel – 75%;
  • Arábia Saudita – 70%;
  • Bahrein – 60%;
  • Qatar – 50%;
  • Emirados Árabes Unidos – de 42% a 50%.

Cerca de 100 milhões de pessoas vivem em países desérticos que dependem dessas plantas para manter o abastecimento.

Apesar da pausa diplomática, o clima de alerta persiste. No domingo (22.mar), o Irã testou, pela 1ª vez, um míssil com alcance de 4.000 km. Segundo a inteligência israelense, o projétil tem capacidade de atingir quase todas as capitais europeias, incluindo Londres, Paris e Berlim. Apenas Portugal, Irlanda e Islândia estariam fora do raio de ação iraniano na Europa.

Crédito Poder360

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