Investigadores da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF) endureceram as negociações para aceitar a delação premiada do banqueiro preso Daniel Vorcaro no caso do liquidado Banco Master, e agora exigem a devolução de algo entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões em prejuízos em curto prazo, sob risco de ter o acordo rejeitado.
Segundo uma apuração publicada nesta terça-feira (19) pela Folha de S. Paulo e confirmada pela Gazeta do Povo com pessoas ligadas às apurações, Vorcaro propôs devolver aproximadamente R$ 40 bilhões ao longo de dez anos, mas a oferta desagradou os investigadores. O entendimento é que o valor apresentado e o prazo estendido demonstram pouca efetividade diante da dimensão do rombo provocado pela quebra do Banco Master.
Integrantes da investigação avaliam negativamente acordos longos após experiências anteriores envolvendo empreiteiras da Operação Lava Jato e a J&F, dos irmãos Batista. Em vários casos, empresas passaram depois a questionar judicialmente os valores acertados ou tentaram suspender pagamentos, enquanto parte das provas derivadas das colaborações acabou anulada pelo próprio STF.
No caso do escândalo do Banco Master, investigadores afirmam que Vorcaro precisará detalhar onde mantém patrimônio e seus ativos financeiros para garantir o ressarcimento dos prejuízos. Entre o que já é conhecido da investigação, os custos da quebra do banco chegam a R$ 57 bilhões, mas uma entidade de policiais federais estima um rombo ainda maior, de R$ 500 bilhões.
Apenas o ressarcimento previsto aos clientes pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), abastecido pelos bancos, é estimado em R$ 51,8 bilhões. E ainda não entraram nas contas o rombo provocado nas negociações com o Banco de Brasília (BRB), que postergou a divulgação do balanço de 2025.
A expectativa é que novas fases da operação Compliance Zero revelem danos ainda maiores e ampliem o número de envolvidos no esquema. Isso, porquê, a Polícia Federal ainda tem uma grande quantidade de provas a serem analisadas, entre aparelhos celulares e documentos.
Investigadores avaliam que os fatos apresentados até agora são considerados fracos e não trazem elementos muito diferentes do que já foi apreendido pela autoridade. A percepção é que a colaboração ainda não revelou informações novas capazes de justificar benefícios amplos ao investigado.
As novas fases da operação Compliance Zero aumentaram a pressão sobre Vorcaro. Autoridades entendem que a PF vem avançando nas apurações sem depender diretamente de acordos de colaboração, o que reduz o poder de barganha do ex-banqueiro.
Na véspera, Vorcaro foi encaminhado para uma cela comum da Polícia Federal, com regras mais restritas daquelas adotadas pela detenção na “sala de Estado maior” da Superintendência Regional do Distrito Federal, em Brasília, onde está preso desde março após ser transferido da Penitenciária Federal, no Complexo da Papuda.





