A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais representa uma derrota para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e um trunfo eleitoral para o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
O anúncio da medida, publicado nesta quinta-feira (28) pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, ocorre um dia após uma reunião entre ele e Flávio Bolsonaro na Casa Branca. Antes, o senador visitou o presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval, onde apresentou esse pedido.
Flávio defende essa classificação ao menos desde o ano passado, quando o governo Lula intensificou contatos com o governo americano para evitar a medida. O Executivo argumenta que as facções não se enquadram no conceito legal brasileiro de terrorismo, em que grupos causam pânico social por motivações políticas ou ideológicas. Para o governo brasileiro, PCC e CV cometem crimes em busca de dinheiro.
Lula e o PT ainda dizem que a classificação das facções como terroristas abre brechas para os EUA realizarem intervenções militares no Brasil, ferindo a soberania nacional, ou seja, o controle do território nacional pelo Estado brasileiro.
No início deste mês, Lula visitou Trump na Casa Branca e foi cobrado pelo governo americano a combater de forma mais efetiva o crime organizado. Na volta ao Brasil, o presidente anunciou um novo plano de segurança para enfrentar as facções.
Após a visita a Trump na terça (26), Flávio disse não só ter defendido a classificação de PCC e CV como terroristas, como se comprometeu, caso eleito presidente, a integrar o Brasil ao “Escudo das Américas”, aliança internacional de combate ao crime organizado e formada por governos alinhados à direita, como Argentina, El Salvador e Paraguai.
Nesta quinta, após o anúncio da Casa Branca, o senador comemorou. “Em uma viagem como pré-candidato, nós fizemos mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e Lula em seus 17 anos de mandato. Enquanto Lula foi de joelhos atrás do Trump fazer lobby a favor de CV e PCC, eu fui trabalhar para que eles fossem tratados como terroristas, que é o que eles são”, afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais.
O senador destacou que um quarto da população vive em áreas dominadas por facções. Segundo ele, essas pessoas “não possuem soberania nem dentro das suas próprias casas”. Ele também agradeceu a Trump e Rubio pela medida anunciada nesta quinta. “Um governo que não tem controle sobre seu próprio território, que não controla nem as cadeias, é porque é conivente com o crime organizado”, afirmou.
Decisão do governo dos EUA é derrota política e diplomática para Lula
Para o professor de Relações Internacionais Gunther Rudzit, da ESPM, a decisão do governo americano é uma derrota política e diplomática para Lula não apenas por contrariar um pedido do governo brasileiro. “Dependendo de como o governo brasileiro reagir, pode ser usado como estar defendendo o crime”, diz.





