O Itamaraty partidarizado: como a diplomacia brasileira virou aparelho ideológico do lulopetismo

Por Marcos Degaut

Há gestos pequenos que dizem mais do que discursos inteiros. Em 26 de maio, o senador Flávio Bolsonaro deixou o Salão Oval da Casa Branca, onde fora recebido por Donald Trump, e procurou, para falar à imprensa, o único lugar que em tese deveria estar naturalmente aberto a um parlamentar brasileiro em solo americano: a embaixada do seu próprio país. A porta não se abriu.

A representação do Brasil em Washington, consultada com antecedência sobre a cessão de uma sala para uma entrevista coletiva, respondeu, inicialmente, que não havia comprovação do caráter oficial da visita e que, por envolver recursos públicos, o apoio não poderia ser prestado. Posteriormente, informou não haver tempo hábil para tratar da solicitação, em virtude de um feriado nacional americano. O pré-candidato à Presidência da República e uma das principais lideranças da oposição teve de improvisar a coletiva num endereço alternativo. A sala vazia que ficou para trás tornou-se o retrato mais eloquente da política externa mesquinha, pusilânime e enviesada do lulopetismo.

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