Vereador do PT é preso em operação contra PCC em SP

O vereador de São Paulo Senival Pereira de Moura (PT) foi preso na manhã desta quinta-feira (25) durante a Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O petista é apontado como um dos principais integrantes de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC, maior grupo narcoterrorista do Brasil.

Em seu sexto mandato na Câmara Municipal de São Paulo, Senival é primeiro-secretário da Mesa Diretora e preside a Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica. Ex-líder da bancada do PT na Casa, ele mantém atuação ligada ao setor de transportes há quase três décadas.

A operação cumpre cinco mandados de prisão temporária e 103 de busca e apreensão. Também foram bloqueados pela Justiça 117 veículos, três embarcações, 21 imóveis e R$ 194,4 milhões em contas dos investigados. As ações ocorrem na capital paulista, região metropolitana e em Extrema (MG).

Também foram presos Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, presidente da Transunião Transportes S.A., e Devanil de Souza Nascimento, conhecido como “Sapo”.

Segundo a investigação, a Transunião era utilizada para ocultar patrimônio e movimentar recursos do grupo narcoterrorista. A empresa opera 51 linhas de ônibus e transporta cerca de 389 mil passageiros por dia na Zona Leste da capital.

O vereador petista atuava, de acordo com a investigação, como o principal explorador econômico de parte significativa da frota vinculada à Transunião. Os investigadores apontam que ele seria o verdadeiro proprietário de parte dos veículos operados pela empresa.

Segundo o MP e a Polícia Civil, a Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema municipal de transporte apenas em 2025 e mantinha uma estrutura paralela para autorizar repasses a integrantes do PCC. A investigação também aponta irregularidades na composição societária da empresa. O capital social teria saltado de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem comprovação da origem dos recursos, o que permitiu sua participação em licitações públicas.

Os investigadores ainda identificaram conexões entre o caso e outras operações de combate ao crime organizado, como Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi, que apurou a ligação entre o PCC e a máfia italiana ‘Ndrangheta.

Os alvos são investigados por organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraude em licitações. A diretoria da empresa foi afastada por determinação da Justiça.

Assassinato revelou esquema

A operação de hoje teve origem na apuração do assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, executado em 2020. De acordo com o MP, documentos atribuídos ao PCC indicam que Adauto e Senival foram condenados pela organização narcoterrorista por supostos desvios de recursos.

“A facção teria descoberto, então, que Adauto desviava dinheiro da empresa para subsidiar uma espécie de ‘caixa dois’ para as eleições de 2020, privilegiando diretamente Senival em sua campanha à reeleição como vereador de São Paulo”, afirma trecho da manifestação do Ministério Público.

Os investigadores sustentam que Senival teria concordado com a execução de Adauto e sido posteriormente “perdoado” pela organização devido à sua influência política e capacidade de ressarcimento financeiro.

Após o crime, a facção teria assumido o controle da empresa por meio de integrantes ligados à sua estrutura financeira. Jair Ramos de Freitas é apontado pela polícia como responsável pelos disparos que mataram Adauto.

Crédito Claudio Dantas

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