Jacques Wagner admite relação com Augusto Lima

Ex-líder do Governo diz ser próximo ao ex-sócio de Vorcaro, mas nega ter favorecido o Master

O senador Jacques Wagner (PT-BA) admitiu relação com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, mas negou as suspeitas de favorecimento ilícito e criticou a atuação da Polícia Federal durante a operação em que foi alvo na semana passada. 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo publicada nesta 6ª feira, o congressista, que deixou a liderança do governo no Senado na 4ª feira, classificou como hipócrita a criminalização de relações pessoais e afirmou ter reclamado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o que chamou de “espetacularização” e ” patacoada” por parte da PF.

O petista é alvo da operação Compliance Zero, que investiga um esquema de fraudes e corrupção envolvendo o Master. A PF aponta que Wagner teria recebido vantagens, incluindo caronas em jatinhos privados, ingressos para shows no exterior e um imóvel em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. 

Durante a entrevista à Folha, Wagner minimizou o envolvimento de sua nora em contratos com o banco, alegando que as cifras eram inclusive superiores aos R$ 3,5 milhões divulgados, mas disse não ter vínculo com as atividades profissionais dela.

O ex-líder governista direcionou críticas à condução das buscas em seus endereços, onde foram apreendidos dólares e euros em espécie. Segundo ele, a divulgação pública de fotos com os valores desrespeitou ordens judiciais e sinaliza uma tentativa de reviver métodos da operação Lava Jato para desgastar o Partido dos Trabalhadores.

“A ordem do André Mendonça fala explicitamente para não ter fotografias. Eles foram ao quarto de hotel onde eu moro, botaram lá em cima da cama [as notas de dólares e euros] com o escudinho [da PF] e fotografaram. Estão reinventando a Lava Jato”, disse Wagner à Folha.

O senador detalhou que conversou pessoalmente com Lula antes de decidir pelo afastamento do cargo de liderança. De acordo com o ele, o chefe do Executivo prestou solidariedade, mas ponderou sobre o desgaste político de acumular sua defesa com a articulação no Congresso. 

Crédito Poder360

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