Polícia aponta patrimônio incompatível com renda e cita sítio em MG como elemento para identificar Senival Moura
O vereador Senival Moura (PT) foi preso em 25 de junho, suspeito de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Investigações da Polícia Civil revelaram que seu patrimônio, incluindo imóveis avaliados em milhões, é incompatível com sua renda de R$ 26 mil mensais. Entre os bens estão um apartamento em Tatuapé (SP) e um sítio em Extrema (MG). A defesa alega que os imóveis foram adquiridos há anos e que a valorização é devida ao mercado.
O vereador Senival Moura (PT), preso sob suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), declarou à Justiça Eleitoral que mantém imóveis avaliados em milhões de reais, segundo levantamento baseado em documentos públicos e na investigação da Polícia Civil de São Paulo.
Os investigadores afirmam que o patrimônio atribuído ao parlamentar é incompatível com sua remuneração oficial como vereador, atualmente de cerca de R$ 26 mil mensais.
Senival foi detido na última quinta-feira, 25, em seu apartamento no Tatuapé, na zona leste da capital paulista. O imóvel foi declarado nas eleições de 2024 pelo valor de R$ 820 mil. A defesa afirma, contudo, que a unidade foi adquirida ainda na planta por aproximadamente R$ 600 mil, em parcelas.
“Eventual valorização imobiliária ocorrida ao longo dos anos decorre exclusivamente das condições do mercado, não representando o valor de aquisição do bem”, disseram os advogados, em nota publicada pelo portal Metrópoles.
Apartamentos com características semelhantes no mesmo edifício são anunciados por valores entre R$ 1,6 milhão e R$ 2,8 milhões. As unidades possuem 167 metros quadrados, quatro dormitórios, quatro banheiros e três vagas de garagem.
Senival é investigado por supostamente lavar recursos do PCC por meio da empresa de ônibus Transunião, concessionária responsável por 50 linhas do transporte coletivo da capital paulista e que sofreu intervenção da Prefeitura de São Paulo na semana passada.
O relatório que fundamentou a prisão também menciona um sítio em Extrema (MG), descrito pela Polícia Civil como um imóvel de “elevado padrão”. Segundo os investigadores, mensagens interceptadas mostram negociações de valores acertados com o “presidente” em “Extrema”.
Para a polícia, “presidente” seria um dos apelidos atribuídos a Senival Moura, enquanto a referência a Extrema apontaria para o município mineiro onde ele mantém a propriedade rural.
“Tal interpretação encontra respaldo no fato de que Senival Pereira de Moura possui imóvel de elevado padrão localizado naquele município, circunstância que reforça a identificação do ‘presidente’ mencionado nas mensagens e confere maior consistência à vinculação entre os interlocutores e o contexto patrimonial investigado”, diz o relatório.
Os investigadores sustentam ainda que o vereador também era chamado de “veio” em conversas entre Leonel Moreira Martins, apontado como operador financeiro do esquema, e Adauto Soares Jorge, ex-diretor-presidente da Transunião, assassinado em 2020.
O terreno rural em Extrema foi declarado por Senival nas eleições de 2024 pelo valor de R$ 200 mil. Segundo a defesa, a propriedade foi adquirida há cerca de duas décadas, e a residência existente no local foi construída gradualmente.
“A construção da residência ocorreu de forma gradual e fracionada ao longo dos anos, motivo pelo qual sua atualização patrimonial ainda não havia sido refletida na declaração correspondente”, afirmaram os advogados.
Polícia identifica outros imóveis em nome do vereador ligado ao PCC
Além do apartamento no Tatuapé e do sítio em Minas Gerais, a investigação identificou outros imóveis registrados em nome do vereador.
De acordo com a Polícia Civil, trata-se de “ativos imobiliários que, considerados em conjunto, representam patrimônio substancialmente superior àquele normalmente associado à remuneração formalmente conhecida de Senival Pereira de Moura enquanto vereador”.
Levantamento do Metrópoles estima que cinco imóveis ligados ao parlamentar somam pelo menos R$ 3,6 milhões.
Entre eles estão um apartamento na Vila Madalena (SP), avaliado em R$ 585 mil; outro na Vila Maria (SP), estimado em R$ 430 mil; um imóvel em Juquehy, em São Sebastião (SP), estimado em R$ 800 mil; o apartamento no Tatuapé (SP), avaliado em pelo menos R$ 1,6 milhão; e o terreno rural em Extrema, declarado por R$ 200 mil.
Um imóvel localizado na Vila Minerva, em São Paulo, também aparece na investigação, mas não entrou na estimativa por não haver avaliação disponível. Esse apartamento é alvo de cobrança de IPTU pela prefeitura. Senival alegou não ter recursos para arcar com as despesas do processo.
Por solicitação do próprio parlamentar, o PT decidiu afastá-lo temporariamente da legenda para que ele concentre sua atuação na defesa. O caso será analisado pelo comitê de ética do diretório municipal do partido, responsável por decidir se Senival permanecerá filiado à sigla.




