Lula usa Mercosul para puxar campanha eleitoral

Petista interrompeu discurso institucional para declarar candidatura à reeleição durante cúpula em Assunção

Lula aproveitou hoje (30) o espaço institucional durante discurso na Cúpula do Mercosul, em Assunção para reafirmar que vai disputar a reeleição em outubro. A declaração veio em tom de improviso, fora do discurso oficial preparado para o encontro entre os líderes do bloco.

“Vou concorrer às eleições para garantir que o país se mantenha como um país democrático”, afirmou o petista.

Será a quarta tentativa de Lula à Presidência. Do lado oposto, desponta como principal adversário Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato pelo PL e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O presidente argentino Javier Milei, crítico declarado do governo brasileiro e aliado da família Bolsonaro, não esteve presente à reunião de chefes de Estado. A Argentina alegou compromissos internos e enviou o chanceler Pablo Quirino como representante.

Participaram do encontro, além de Lula, os presidentes Santiago Peña (Paraguai), Yamandú Orsi (Uruguai), José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador).

Discurso evita confronto entre blocos ideológicos

No trecho lido do discurso oficial, Lula defendeu que o Mercosul funcione “independentemente” de qual governo esteja no poder em cada país-membro. Para o petista, alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes não fortalecem a posição da região no cenário internacional: “nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”.

Lula afirmou ainda que “ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul” e defendeu diversificação de parcerias como caminho para a autonomia regional: “diversificar parcerias, ampliar a cooperação e preservar a autonomia são requisitos para que uma região encontre seu espaço em um mundo em transformação”.

Minuto de silêncio pela Venezuela

A reunião também foi marcada por um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela na semana passada, com pedido feito pelo próprio Lula. O número de mortos já passa de 1.719, com milhares de desaparecidos e desabrigados.

A presidência rotativa do Mercosul passa oficialmente ao Uruguai a partir desta terça-feira.

Crédito Claudio Dantas

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