A disparada das despesas obrigatórias estrangula os investimentos e obriga o Planalto a ampliar o congelamento do Orçamento
As despesas do governo federal alcançaram R$ 2,633 trilhões nos 12 meses até maio, aproximando-se do recorde de R$ 2,822 trilhões de novembro de 2020. O aumento dos gastos com Previdência Social e Benefício de Prestação Continuada pressiona as contas públicas, levando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva a aumentar o bloqueio orçamentário para R$ 23,7 bilhões. A dívida pública subiu 1,91%, atingindo R$ 8,798 trilhões.
As despesas do governo federal, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, atingiram R$ 2,633 trilhões no acumulado de 12 meses até maio. O montante deixa o país a apenas R$ 189,5 bilhões do pico histórico de gastos registrado em novembro de 2020, durante o auge da pandemia. Naquela época, a cifra chegou a R$ 2,822 trilhões. O levantamento da CNN revela que o crescimento acelerado do caixa obrigatório ameaça paralisar o funcionamento dos órgãos públicos nos próximos anos.
O avanço dos benefícios da Previdência Social e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) lidera a pressão sobre as contas da União. O setor previdenciário consumiu R$ 1,117 trilhão no período, cifra que representa mais do que o dobro de todo o gasto federal com o funcionalismo ativo. A regra que atrela o reajuste do salário mínimo ao índice de inflação gera um reajuste automático em cascata que atropela os limites fixados pelo arcabouço fiscal.
Governo amplia congelamento para tentar cumprir meta do arcabouço
A equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o bloqueio orçamentário para R$ 23,7 bilhões com o objetivo de frear o rombo. As projeções oficiais de desembolso subiram R$ 14,1 bilhões para o BPC e R$ 11,5 bilhões para as aposentadorias. O aperto tenta salvar a meta de superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) e manter a evolução das despesas dentro do teto anual de 2,5% acima da inflação.
Analistas de finanças públicas ouvidos pela reportagem classificam o cenário atual como um travamento gradual do Estado. A falta de margem para gastos livres já provoca restrições severas em agências reguladoras e cortes em tecnologia no Banco Central. Economistas ressaltam que a máquina corre o risco de parar totalmente até 2027 se o Congresso Nacional não aprovar novas reformas estruturais profundas.
Descontrole eleva rombo e infla dívida pública do país
O descompasso entre a arrecadação e os gastos empurra o Tesouro Nacional a emitir mais títulos públicos para cobrir o déficit, o que encarece o financiamento do país. A dívida pública federal registrou alta de 1,91% e bateu a marca de R$ 8,798 trilhões. O endividamento atual compromete quase 70% de todo o PIB brasileiro.
A trajetória atual de endividamento joga a expectativa de inflação para cima e força a manutenção de juros altos no mercado financeiro. Especialistas de mercado dizem que o descumprimento continuado das metas fiscais pode empurrar o Brasil para uma recessão severa semelhante à crise econômica vivida entre 2015 e 2016, com disparada do desemprego e corrosão do poder de compra.





