Justiça solta mulher suspeita de ligação com o PCC sancionada pelos EUA

A Justiça brasileira determinou a soltura de parte dos investigados presos na Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao PCC que teria movimentado mais de R$ 10 bilhões. Entre os beneficiados pela medida está uma mulher identificada como Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, primeira brasileira sancionada diretamente pelos Estados Unidos por supostas ligações com a facção criminosa.

A decisão da 7ª Vara Federal Criminal de Santos entendeu que não havia motivos para manter as prisões temporárias dos investigados. O único alvo que tem o mandado de prisão ativo é o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que está foragido e teve a prisão convertida em preventiva.

A Operação Exchange foi realizada na última sexta-feira (3), apenas dois dias após o governo norte-americano anunciar sanções contra dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa por suspeitas de ligação com o PCC. Parte das informações que embasaram a investigação brasileira foi compartilhada pelo Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos.

A ação da Polícia Federal cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Também foi determinado o bloqueio de R$ 10,4 bilhões em bens e ativos dos investigados. Segundo a Polícia Federal, o grupo seria especializado em lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas por meio de um complexo sistema financeiro.

“As apurações indicam que os investigados utilizavam um sistema estruturado para a movimentação de recursos, por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores, inclusive em espécie, operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras”, disse a corporação em um comunicado.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, a “análise preliminar permitiu identificar movimentações superiores a R$ 10 bilhões”. As investigações apontam que os recursos eram movimentados por meio de criptomoedas, empresas e operações financeiras consideradas suspeitas.

O governo dos Estados Unidos afirma que os investigados teriam lavado mais de US$ 30 milhões provenientes de atividades ilícitas em diversas cidades norte-americanas. Os recursos, segundo as autoridades americanas, eram transferidos ao Brasil em benefício do PCC.

Em comunicado, o governo norte-americano classificou a organização como uma “ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, já que seus agentes em todo o país, particularmente na Flórida, lavam dinheiro proveniente do narcotráfico e contribuem para um ciclo de criminalidade”.

As investigações dos Estados Unidos também apontam que Shimada teria participação em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro ligada ao narcotráfico. Uma de suas empresas, a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobrança e Tecnologia Ltda., teria sido utilizada para lavar recursos desviados de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude envolvendo uma plataforma de apostas on-line.

Stella Stefanie é descrita pelas autoridades norte-americanas como uma associada próxima e parente de Shimada. Segundo o governo dos Estados Unidos, ela teria atuado como secretária e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, prestando apoio logístico às operações financeiras do grupo.

As investigações também mencionam a participação das empresas Victory Trading, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e da portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. Todos os bens e interesses das pessoas e empresas sancionadas que estejam em território norte-americano ou sob controle de cidadãos dos Estados Unidos foram bloqueados por determinação do Departamento do Tesouro americano.

Crédito Gazeta do Povo

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