Vice de Flávio, Alfredo Gaspar pediu prisão de Lulinha

Na função de relator da CPMI do INSS, o deputado federal acusou o filho do presidente Lula de cometer os crimes de corrupção e tráfico de influência

O agora candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), foi relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que pediu o indiciamento do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O relatório final de Gaspar, concluído em 27 de março com 4,4 mil páginas, acusou Lulinha pelos crimes de tráfico de influência, lavagem ou ocultação de bens, organização criminosa e participação em corrupção passiva. O parecer também pedia a prisão preventiva do filho de Lula, com base em “indícios concretos de evasão do distrito da culpa”.

No documento, Gaspar afirmou que Lulinha atuou como “beneficiário e facilitador” do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, a quem o relator aponta como coordenador da organização criminosa. O parlamentar afirma que a lobista Roberta Luchsinger intermediou a relação entre os dois. O relator disse que Antunes efetuava pagamentos periódicos de cerca de R$ 300 mil a Lulinha por meio da empresa de Roberta, com base em contratos cujas partes não comprovaram a execução real.

Gaspar citou viagens e acesso a órgãos do governo

O deputado sinalizou que Lulinha usou sua condição de filho do presidente para obter vantagens. Segundo Gaspar, isso facilitou o acesso do grupo ao Ministério da Saúde e à Anvisa. O relator também citou três voos em comum do empresário com Antunes e Luchsinger em 2024. As viagens tinham Lisboa como destino.

“Esses deslocamentos internacionais foram reiterados e em primeira classe”, afirmou o relator, na ocasião da CPMI do INSS. “Eles ocorreram em datas coincidentes e organizados por alguém ligado à lavagem bilionária de capitais.”

O relator inseriu o nome de Lulinha no contexto da chamada “Rede Arpar”. O parecer descreve essa estrutura como a principal rede de lavagem de capitais do esquema.

O documento destaca a atuação de João Muniz Leite. Ele atuava como contador de uma das principais operadoras de propina da rede. O profissional já teria trabalhado como contador associado a Lulinha.

Relatório foi derrotado na CPMI do INSS

A comissão derrotou o relatório de Gaspar depois que o governo e partidos do centrão articularam maioria contra o parecer. Por 19 votos contrários e 12 a favor, os parlamentares rejeitaram o texto final. A base governista apresentou um relatório paralelo, que o colegiado também rejeitou.

Flávio escolheu Gaspar como vice no último dia do prazo das convenções partidárias. Em 2022, o agora candidato a vice-presidente da República foi eleito deputado federal pelo União Brasil. Neste ano, o parlamentar se filiou ao PL e assumiu o comando estadual da legenda em Alagoas.

Antes de entrar para a política, Gaspar atuou por 24 anos no Ministério Público de Alagoas. No órgão, exerceu a função de promotor de Justiça. Com o tempo, chegou ao cargo de procurador-geral de Justiça. Ele também foi secretário de Segurança Pública do Estado.

Crédito Revista Oeste

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