Bahia lidera alta nas apreensões de armas de grosso calibre, com crescimento de 392,9% entre 2021 e 2025
Facções como Comando Vermelho e PCC expandiram suas atividades para além do eixo Rio-São Paulo, resultando em um aumento significativo nas apreensões de fuzis no Norte e Nordeste, com a Bahia liderando com 392,9% entre 2021 e 2025. O total de armas apreendidas permaneceu estável, mas o perfil mudou, com 2,1 mil fuzis recolhidos em 2025, um aumento de 164,8%. A fabricação clandestina de armamentos, incluindo armas impressas em 3D, cresceu, e 70% dos fuzis apreendidos não têm identificação.
Facções como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) ampliaram suas atividades para além do eixo Rio–São Paulo. O movimento fez crescer a apreensão de fuzis no Norte e no Nordeste, segundo a pesquisa “A nova cadeia de suprimentos do crime”, do Instituto Sou da Paz.
De acordo com o estudo, a Bahia teve a maior alta porcentual nas apreensões de armas de grosso calibre entre 2021 e 2025, com aumento de 392,9%. O Pará aparece em seguida, com 360%, e o Ceará, com 263,6%.
O total de armas apreendidas no país ficou estável, mas o perfil do arsenal mudou. Em 2021, foram recolhidos 807 fuzis em 22 Estados. Em 2025, foram 2,1 mil, alta de 164,8%. Todas as unidades da Federação registraram ao menos uma apreensão.
Facções ganham espaço em outros Estados
O Rio de Janeiro teve o maior número de apreensões em 2025, com 924 fuzis, contra 355 em 2021. Na Paraíba, não houve apreensões em 2021. Em 2025, porém, foram 25 casos.
A Polícia Civil da Paraíba apreendeu três fuzis calibre .50 entre 2024 e 2025. O modelo perfura blindados e pode derrubar aeronaves. O armamento era usado em roubos a bancos e carros-forte e passou a ser empregado pelo tráfico de drogas contra grupos rivais.
A participação das pistolas no total de apreensões subiu de 20,7% para 27,8% entre 2021 e 2025, que chegou a 31.107 unidades. A fatia dos revólveres caiu 5 pontos porcentuais, para 33,5%.
As apreensões da Polícia Federal ligadas ao tráfico internacional de armas caíram 42,2% entre 2019 e 2022. O mercado interno ganhou espaço como fonte de armamentos para o crime organizado.
Produção clandestina de armamentos
Além disso, a fabricação artesanal de armamento avançou. Impressoras 3-D permitem produzir armas sem rastreio, conhecidas como ghost guns. Projetos circulam na deep web e no Telegram. Sete de cada dez fuzis apreendidos no país não têm identificação de origem. Criminosos usam impressoras 3-D e peças importadas para montar armamentos no Brasil.
Neste ano, a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu o engenheiro Alexandre Flaneto de Queiroz, suspeito de criar o design da carabina Urutau para impressão 3-D e liderar uma quadrilha de venda de armas. Polícias estaduais também encontraram fábricas clandestinas em Santa Bárbara D’Oeste (SP) e Minas Gerais. As instalações produziam fuzis para o Comando Vermelho.
Em maio de 2025, 60% dos fuzis apreendidos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro tinham fabricação norte-americana.





