Só 22% dos eleitores que faltaram ao 1º turno dizem que podem votar no segundo, aponta Real Time

Levantamento mostra que 78% dos abstencionistas estão inclinados a não comparecer novamente às urnas

Apenas 22% dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições de 2026 afirmam que consideram votar no segundo turno, segundo pesquisa do Instituto Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira (8). Entre os abstencionistas, 40% dizem que certamente não votarão novamente, enquanto outros 38% afirmam que provavelmente não irão às urnas.

O levantamento foi realizado nos dias 6 e 7 de outubro, dois dias após a primeira etapa da eleição, e ouviu 1.600 pessoas. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa mostra o desafio de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para ampliar a participação eleitoral no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Os dois candidatos passaram a disputar também o eleitorado que não compareceu à votação de 4 de outubro.

A abstenção no primeiro turno chegou a 21,08%, o equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de eleitores. Foi o maior percentual registrado em uma eleição presidencial desde 1998.

Eleitores de Renan mostram maior disposição para faltar

O estudo também analisou a intenção de voto e o grau de decisão entre eleitores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), candidatos que não avançaram para a segunda etapa.

Entre os três grupos, os eleitores de Renan apresentam a maior disposição para não comparecer ao segundo turno: 31% afirmam que pretendem se abster novamente.

Já o eleitorado de Augusto Cury aparece como o mais aberto a mudanças. Segundo o levantamento, 26% desse grupo ainda não definiram completamente sua posição para a segunda etapa.

Entre os eleitores de Renan, por outro lado, 77% dizem estar totalmente decididos. No grupo que votou em Caiado, esse percentual é de 57%. Entre os que se abstiveram no primeiro turno, 48% afirmam ter uma posição definida.

Campanhas miram eleitorado ausente

O contingente de abstencionistas é significativamente maior que a diferença registrada entre Lula e Flávio no primeiro turno. O candidato do PL terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista.

A dimensão desse eleitorado tornou a mobilização dos ausentes uma das frentes da disputa pelo segundo turno. No entanto, os dados do Real Time indicam que uma parcela expressiva não demonstra disposição de retornar às urnas.

O levantamento também aponta que os eleitores de Cury são os mais suscetíveis a alterar sua posição. Entre os fatores que poderiam influenciar uma mudança aparecem os debates, mencionados por 14%, o apoio de pessoas de confiança, citado por 11%, e novas propostas econômicas, apontadas por 10%.

Apesar disso, cerca de 70% desse eleitorado afirma não estar aberto a mudar de posição.

A pesquisa foi feita com 1.600 entrevistados, distribuídos igualmente entre eleitores de Cury, Caiado, Renan Santos e pessoas que não votaram no primeiro turno. A margem de erro é de três pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

Crédito Claudio Dantas

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