Irã diz que não tolerará “nudez” das mulheres sem véu

Judiciário de Teerã afirmou que não tolerará o que chamou de “libertinagem”

O Poder Judiciário da província de Teerã advertiu nesta terça-feira (13) que as autoridades não tolerarão o que classificou como “nudez” das mulheres que descumprem as normas de vestuário islâmico e não usam o véu nas ruas da capital, uma tendência em ascensão nos últimos anos.

– Não ignoraremos condutas inadequadas, libertinagem nem tentativas de normalizar certos comportamentos e eliminar seu caráter socialmente repreensível – afirmou o presidente do Poder Judiciário da província de Teerã, Nasser Atabati, segundo a agência Mizan, do Poder Judiciário iraniano.

Atabati fez essas declarações em uma reunião sobre o cumprimento das normas do véu islâmico, com a participação do promotor de Teerã, Ali Salehi; do comandante da Polícia da capital, o general Abbas Ali Mohamadian; e de responsáveis de outros órgãos.

O chefe do Poder Judiciário indicou que, em alguns espaços públicos, a situação “foi além de tirar o véu” e observam-se “cenas de nudez”. Por isso, apelou ao uso das disposições legais para agir contra esses comportamentos, que considerou “demonstrarem claramente a intervenção do inimigo em questões culturais”, em uma aparente referência aos Estados Unidos.

– O Poder Judiciário, juntamente com as forças de segurança e outros órgãos, tem a obrigação legal de agir contra qualquer comportamento destinado a promover a nudez, o libertinagem e a normalização de relações inadequadas na sociedade – afirmou.

As advertências surgiram depois que o chefe do Poder Judiciário iraniano, Golamhosein Mohseni Eyei, ordenou na semana passada que a Procuradoria-Geral do Estado perseguisse com “firmeza” as “anomalias sociais”, em referência às mulheres que não usam véu ou não cobrem o corpo com um sobretudo.

A ordem foi emitida diante do número crescente de mulheres que saem às ruas de grandes cidades como Teerã sem cobrir os cabelos, inclusive usando camisetas de manga curta ou com alças, como parte do movimento de desobediência civil que surgiu após a morte de Mahsa Amini em 2022.

A morte da jovem curda de 22 anos provocou protestos de caráter sob o lema “Mulher, Vida, Liberdade”, que exigiam o fim da república islâmica e foram duramente reprimidos pelas autoridades, resultando em centenas de mortos e milhares de detidos, segundo organizações de direitos humanos.

Com o aumento do número de mulheres que desafiavam o hijab obrigatório, o governo anunciou, no final de 2024, que não estava aplicando as leis que puniam o não uso do véu e, desde então, vem havendo uma crescente liberdade no vestuário feminino — símbolo inegociável, até muito recentemente, da república islâmica fundada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini em 1979.

Crédito Pleno.News

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