Nunes Marques adia restrição ao WhatsApp para eleições de 2028

Nunes Marques adia restrição ao WhatsApp para eleições de 2028

Presidente do TSE defende que mudanças em canais políticos sejam discutidas apenas depois do pleito deste ano; proposta previa bloqueio de perfis com mais de 200 mil seguidores

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou nesta quarta-feira, 21, que a discussão sobre a restrição de canais de WhatsApp durante o período eleitoral deve ficar para as eleições municipais de 2028. A declaração foi dada à CNN, em Brasília. O ministro ressaltou ser contrário à adoção de novas regras às vésperas do segundo turno.

Nunes Marques explicou que é contra “alterações de última hora”. Segundo ele, as campanhas eleitorais já estão familiarizadas com as normas em vigor. “Essa é uma ideia a ser refletida depois da eleição”, declarou. “Provavelmente para as eleições de 2028.”

A proposta em debate previa a suspensão temporária de canais de WhatsApp que possuíssem mais de 200 mil seguidores. A Justiça aplicaria a restrição nas 48 horas que antecedem a votação e nas 24 horas posteriores. O ministro avalia que a maioria dos integrantes da Corte deve considerar que o momento adequado para qualquer alteração já se esgotou.

Se aprovada, a medida atingiria diretamente o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O perfil ultrapassou 7 milhões de inscritos. A medida também afetaria o canal “Tropa do Flávio”, com 2 milhões de usuários. O ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, redigiu a proposta, pois defendia a necessidade de evitar a disseminação de conteúdos ilícitos no período crítico da eleição.

Kassio Nunes Marques evita convocar reunião sobre o tema

O presidente do TSE afirmou que não pretende convocar uma reunião para deliberar sobre o assunto. A decisão busca evitar a percepção de que estaria conduzindo a iniciativa. A discussão sobre os canais de WhatsApp surgiu na semana passada, durante um encontro entre membros do TSE. “Não é ideia dele e não é ideia minha, mas uma vontade coletiva de deliberar sobre isso”, pontuou Nunes Marques, referindo-se a André Mendonça.

Um dos argumentos centrais do presidente do TSE contra novas restrições é a existência de regulamentação para o impulsionamento pago de conteúdos eleitorais na internet. Há uma resolução que aborda a propaganda eleitoral digital e as limitações à publicidade paga próximo à votação.

A diferença fundamental, segundo Nunes Marques, é que as normas atuais permitem a fiscalização e a responsabilização de canais por irregularidades comprovadas. A nova proposta criaria uma restrição temporária baseada unicamente no número de seguidores, independentemente da verificação prévia de alguma infração.

Crédito Revista Oeste

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