Mensagens tratam da compra de antiga fábrica de cimento na Paraíba
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), discutiu com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a formação de uma sociedade relacionada à compra de uma antiga fábrica de cimento em João Pessoa.
Mensagens de março de 2024 mostram a participação do parlamentar nas negociações de um terreno adquirido por R$ 45 milhões, com financiamento de pelo menos R$ 22 milhões da instituição financeira.
A operação envolveu a ETC Participações, empresa controlada por Bianca Medeiros, cunhada de Motta. Em 8 de março de 2024, Bianca assumiu todas as cotas da companhia, conforme documentos da Junta Comercial consultados pela Folha de S.Paulo.
No dia seguinte, Motta informou a Vorcaro sobre a transferência da empresa para a cunhada. O banqueiro propôs concluir primeiro a operação com uma pessoa identificada como Adriana e acertar a sociedade posteriormente.
“Vamos fazer uma operação rápida com a Adriana, em paralelo organizamos a questão da sociedade”, escreveu Vorcaro. Em seguida, acrescentou: “Importante é liquidar ate a data” e “Entre nós resolvemos depois”. As mensagens não esclarecem a identidade de Adriana.
Cunhada de Motta obteve R$ 22 milhões do Master para financiar negócio
O negócio envolveu uma área de mais de 400 hectares pertencente à antiga fábrica de cimento Cimepar, ligada à InterCement. O terreno integra um projeto imobiliário conhecido como Nova Paraíba, voltado à transformação da região em um novo bairro da capital paraibana.
As conversas mostram ainda a atuação de Motta nas etapas anteriores à conclusão do negócio. Em 13 de março, o deputado voltou a procurar Vorcaro para tratar das assinaturas necessárias ao pagamento. Dois dias depois, agradeceu ao banqueiro pela “confiança e a parceria” e afirmou: “Deu tudo certo a tempo de cumprir o contrato”.
O parlamentar negou irregularidades nas negociações. Em manifestação divulgada anteriormente, Motta rejeitou a associação das mensagens a favorecimento de interesses particulares. Os registros não permitem determinar se o acordo societário mencionado nas conversas chegou a ser formalizado.





