Além do PL (Partido Liberal), o União Brasil e o Republicanos são as legendas na Câmara que mais têm deputados que apoiam o PL (projeto de lei) 2.858 de 2022, que concede anistia aos condenados pelos atos extremistas de 8 de Janeiro.
Dentre os 165 congressistas signatários do requerimento de urgência (que acelera a tramitação) do texto, 14 são do partido do presidente da Casa Baixa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e 24 do União Brasil.
São 82 os deputados do partido de Jair Bolsonaro, os mais interessados na análise do texto, que assinam o pedido. O ex-presidente se tornou réu no STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de suposto golpe de Estado em 2022.
O regimento da Câmara exige apoio de 257 deputados para incluir a urgência automaticamente em votação.
Eis a lista de apoiadores do PL da anistia por partido e o total da bancada:
- PL – 82 (de 92 deputados);
- União Brasil – 24 (de 59);
- Republicanos – 14 (de 45);
- MDB – 11 (44 deputados);
- PSD – 11 (de 44);
- PP – 10 (de 49);
- Novo – 4 (de 4);
- Podemos – 3 (de 15);
- Avante – 2 (de 7);
- PRD – 2 (de 5);
- Cidadania – 1 (de 4);
- PSDB – 1 (de 14).
Mesmo com o apoio de deputados do Republicanos ao texto, Motta se mantém inflexível e não demonstra interesse em pautar o projeto.
O presidente da Casa Baixa também não cederá à pressão feita por deputados do PL, com obstrução das comissões (paralisar ou retardar as discussões). Isso faz líderes de outros partidos não aderirem à tramitação do texto prioritário da legenda de Bolsonaro.
PL MUDA ESTRATÉGIA
O líder do PL na Câmara, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (RJ), disse na 5ª feira (3.abr) que “mudará a estratégia” para pressionar Hugo Motta a pautar o requerimento de urgência da anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro.
O oposicionista passará a coletar assinaturas individualmente em vez de depender dos líderes partidários.
Segundo Sóstenes, Motta pediu aos líderes que, por enquanto, não assinem o requerimento de urgência. O líder tem afirmado que outros 8 líderes já se comprometeram a apoiar o texto.
A mudança de estratégia do Partido Liberal fez o líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), afirmar que projeto foi “muito fragilizado”.
O deputado aliado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda disse a jornalistas que as articulações do partido do ex-presidente Bolsonaro estão levando a uma estratégia “kamikaze” para conseguir a aprovação da proposta.