Arquidiocese do Rio de Janeiro critica desfile que homenageou Lula

Sem citar nominalmente a Acadêmicos de Niterói, Arquidiocese critica uso de símbolos da fé cristã e da instituição familiar em desfile

A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro criticou o uso de representações religiosas e da família por escolas de samba nos desfiles de Carnaval deste ano. Embora não cite nominalmente a Acadêmicos de Niterói, o enredo da agremiação que homenageou Lula foi alvo de críticas pela sátira que fez à “família conservadora”.

Na nota, a Arquidiocese alega que reconhece a cultura popular como expressão legítima, mas “manifesta preocupação a respeito da utilização de símbolos da fé cristã e da instituição familiar em manifestações culturais de maneira que compreendemos como ofensiva“.

“Reafirmamos nossa proximidade a todas as famílias, acolhendo as diferentes realidades em que se empenham para permanecerem unidas, educar seus filhos no bem e transmitir valores que contribuem para uma sociedade mais justa e fraterna”, diz o texto.

“Neoconservadores em conserva”

A escola de samba Acadêmicos de Niterói fez um enredo em homenagem ao presidente Lula, com referências à história do petista, incluindo opositores. Em uma das alas apresentadas, a escola trazia uma sátira sobre evangélicos e a “família conservadora”.

De acordo com a agremiação, o grupo atua “fortemente em oposição a Lula, votando contra a maioria das pautas defendidas por ele”. Evangélicos ainda integram a base de apoio a Jair Bolsonaro (PL).

A ala tinha o nome de “neoconservadores em conserva” e trazia pessoas fantasiadas em uma lata de conserva, com o desenho de uma família formada por pai, mãe e duas crianças. Após o desfile, parlamentares da oposição usaram a representação para rebater as críticas e posarem em fotos dentro de uma latinha feitas com inteligência artificial.

O que diz a Arquidiocese do Rio de Janeiro

A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro manifesta sua preocupação a respeito da utilização de símbolos da fé cristã e da instituição familiar em manifestações culturais de maneira que compreendemos como ofensiva.

Reconhecemos a cultura popular como expressão legítima da identidade brasileira, espaço de criatividade, encontro e alegria. Ao mesmo tempo, é preciso que tais manifestações respeitem convicções religiosas profundas e valores que estruturam a vida social e são invioláveis para as pessoas desta cidade.

Reafirmamos nossa proximidade a todas as famílias, acolhendo as diferentes realidades em que se empenham para permanecerem unidas, educar seus filhos no bem e transmitir valores que contribuem para uma sociedade mais justa e fraterna. Quando a família permanece um elemento central e estruturante da vida social, essencial para a convivência e o bem-estar da sociedade.

As religiões, presentes em toda a cidade, desempenham papel particular e relevante na promoção da solidariedade, da educação e do cuidado com os mais vulneráveis. A fé continua ocupando um lugar essencial na vida social, permanecendo viva, influente e fundamental na formação ética e moral da sociedade.

Ataques ou desrespeito a ela atingem não apenas as instituições, mas também a consciência de milhões de cidadãos.

A alegria, vivida de forma saudável e respeitosa, é legítima e enriquece a vida cultural. Situações pontuais de desrespeito não representam a riqueza e a diversidade cultural da cidade, que devem ser sempre espaços de inclusão, diálogo e convivência democrática.

Cabe lembrar que os eventos culturais possuem regulamentos próprios, que estabelecem limites para manifestações públicas. Esses limites existem não para cercear a liberdade de expressão, mas justamente à luz desse valor fundamental em uma sociedade democrática, garantindo o respeito à posição religiosa das pessoas e à dignidade da família.

Reafirmamos nosso compromisso com a defesa da fé, da dignidade da família, da liberdade religiosa, da liberdade de expressão e da construção de uma cultura de diálogo e paz. Direitos fundamentais como a liberdade de expressão caminham lado a lado com responsabilidade e respeito mútuo.

O Rio de Janeiro é maior quando constrói pontes, promove a convivência respeitosa e reconhece que família, fé e cultura podem caminhar juntas na edificação de uma sociedade mais fraterna, madura e verdadeiramente democrática.

Crédito Metrópoles

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