Brasil registra recorde de empresas em recuperação judicial em 2025

Durante o ano, 1,6 mil pedidos de reestruturação foram protocolados, alta de 35,2% em relação ao ano anterior, enquanto 561 processos foram encerrados

O Brasil encerrou 2025 com o maior número já registrado de empresas em recuperação judicial: 5,6 mil companhias nessa situação, segundo o Monitor RGF de Recuperação Judicial. Esse dado representa um crescimento de 24,3% em relação ao total observado no final de 2024, sinalizando agravamento do quadro de insolvência corporativa, conforme revelou o Valor Econômico.

Durante o ano, 1,6 mil empresas ingressaram com pedidos de reestruturação, alta de 35,2% ante o ano anterior, enquanto 561 deixaram esse status. No último trimestre, 510 companhias buscaram proteção judicial, um salto de 7,5% sobre os três meses anteriores e recorde trimestral na série histórica.

Valores dos passivos e setores mais afetados no Brasil

O valor dos passivos também aumentou significativamente. As dívidas declaradas pelas 510 empresas que recorreram à Justiça no quarto trimestre somaram R$ 40 bilhões, mais que o dobro dos R$ 16 bilhões registrados no trimestre anterior. Desse montante, R$ 19 bilhões pertencem à indústria petroquímica Unigel, que entrou com pedido em outubro de 2025.

Apesar do aumento, empresas em reestruturação judicial ainda representam minoria: 2,13 a cada mil ativas, conforme o IRJ-RGF. Os setores mais afetados foram agropecuária (13,53), indústria (6,74) e infraestrutura (4,11). Comércio (1,81) e serviços (1,02) ficaram abaixo da média nacional.

Mato Grosso do Sul liderou o crescimento porcentual de empresas insolventes, com alta de 84% e total de 68 empresas em recuperação judicial ao fim de 2025, embora seu índice (1,96) permaneça abaixo da média nacional. Os segmentos mais impactados nesse Estado foram cultivo de soja (31,6) e criação de bovinos (5,3). As regiões Sudeste, Sul e Norte tiveram os maiores avanços porcentuais: 33%, 28% e 27%, respectivamente.

Fatores que impulsionam o aumento de recuperações

Analistas apontam a alta da taxa Selic como principal responsável pelos pedidos, já que encarece o crédito e pressiona o caixa das empresas. Dificuldades de acesso a financiamento, agravadas desde a fraude da Americanas em 2023, e o rombo recente do Banco Master, que deve exigir bilhões dos grandes bancos no FGC, tendem a aprofundar o problema.

Rodrigo Gallegos, sócio do RGF, afirmou ao jornal Valor Econômico que a elevação foi generalizada em todos os setores econômicos. “Isso demonstra que as empresas continuam com dificuldade de pagamento por causa da taxa Selic.” Ele também mencionou restrições na negociação com credores financeiros como fator agravante.

O sócio do RGF destaca que a alternativa tem sido recorrer ao capital dos próprios sócios ou buscar fundos de investimento, como o DIP, previsto na reforma da lei falimentar de 2020. No entanto, além dos juros, são exigidas garantias robustas, o que empresas menores nem sempre conseguem oferecer.

Crédito Revista Oeste

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