O Banco de Brasília (BRB) adquiriu um volume acumulado de R$ 30,4 bilhões em carteiras do Banco Master a partir de julho de 2024. O portal Metrópoles obteve via Lei de Acesso à Informação (LAI) as planilhas e as publicou nesta segunda-feira (6), informando que o acumulado pode ser ainda maior com outros R$ 10 bilhões em “substituições”.
Ainda de acordo com as apurações, realizadas pela coluna do jornalista Demétrio Vecchioli, as carteiras se dividiam em fundos de crédito de varejo, atacado e CDBs, entre outras aplicações. As carteiras seguiram sendo adquiridas mesmo depois que o banco constatou que parte dos ativos não tinha qualidade. A reportagem da Gazeta do Povo tentou contato com o BRB para comentar as denúncias, mas não teve resposta. O espaço segue aberto.
A aquisição das carteiras se manteve constante até um mês antes da liquidação do Master e da Operação Compliance Zero, que acabou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. O BRB tem passado por uma auditoria forense que tenta medir o tamanho exato do prejuízo, que ainda não foi totalmente comunicado ao mercado e estava estimado em algo em torno de R$ 6 bilhões ou até R$ 15 bilhões.
Funcionários ouvidos como testemunhas no inquérito da Polícia Federal relataram a atuação na auditoria interna que apontou falhas na compra de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas. Segundo eles, os mesmos problemas que passaram a ser investigados pelo Banco Central do Brasil já haviam sido detectados previamente dentro do banco.
Nos depoimentos, os servidores afirmam que “haviam sinais de intencionalidade” nas operações analisadas, o que levanta suspeitas de fraude. Os funcionários também afirmaram que vinham alertando há tempos sobre os riscos de irregularidades, mas que foram completamente ignorados pela diretoria responsável.
Rebaixamento da nota
Na semana passada, a agência de classificação de risco Moody’s do Brasil anunciou o rebaixamento da nota do BRB. O chamado “rating” do banco despencou de BBB-.br para CCC+.br, situando a instituição em um patamar de crédito considerado “muito fraco” e próximo da inadimplência (default) caso não ocorra uma injeção de capital urgente.
A Moody’s ainda manteve os ratings em revisão para novos rebaixamentos, informando que monitorará a Assembleia Geral agendada para o dia 22 de abril, que deve deliberar sobre o plano de aumento de capital. Novas notas negativas podem ser atribuídas caso não seja apresentada uma solução com um plano viável de recuperação, disse a agência.





