Corrida por delação no escândalo do INSS isola o lobista “Careca”

Transferência de Maurício Camisotti para a sede da Polícia Federal em São Paulo acelera negociações de colaboração premiada

O cerco contra o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apertou de forma decisiva na segunda-feira 23. A movimentação estratégica da Polícia Federal retirou o empresário Maurício Camisotti da Penitenciária II de Guarulhos e o alocou na Superintendência da corporação na capital paulista. De acordo com a apuração do portal Metrópoles, o deslocamento visa a agilizar um acordo de colaboração premiada que pode esvaziar qualquer interesse das autoridades na proposta preparada pelo lobista de Brasília.

A Justiça entende que a utilidade da delação de Camisotti supera amplamente o que Antunes tem a oferecer. Enquanto o “Careca” ganhou fama como o rosto público do esquema de descontos indevidos em aposentadorias, os investigadores agora miram o verdadeiro motor financeiro da organização. Camisotti, que atua nos setores de seguros e saúde, detinha o controle de entidades fraudulentas, como Ambec, Unsbras e Cebap, utilizadas para drenar cifras bilionárias de pensionistas sem nenhuma autorização.

O peso da família Camisotti no esquema

Relatórios da CPMI do INSS revelam que o grupo liderado por Maurício Camisotti operava volumes de capital significativamente maiores do que os atribuídos ao lobista brasiliense. O deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator do colegiado, revelou que a rede da família Camisotti movimentou cerca de R$ 800 milhões. Desse total, pelo menos R$ 350 milhões irrigaram as contas de empresas registradas em nome de Paulo Camisotti, filho do empresário, incluindo firmas como Benfix e Rede Mais Saúde.

Essa disparidade financeira torna Antunes uma peça secundária no tabuleiro. O parlamentar chegou a declarar publicamente que a estrutura de Camisotti era cinco vezes mais robusta do que a de Antônio Carlos Antunes. A estratégia de focar o “Careca” serviu como uma cortina de fumaça inicial, enquanto o verdadeiro núcleo de poder operava em São Paulo por meio de uma rede complexa de serviços compartilhados e consultorias.

Pressão e risco de isolamento

Antunes, detido desde setembro de 2025, tentava viabilizar seu próprio acordo logo que percebeu que a investigação alcançava seu filho, Romeu Carvalho Antunes. Segundo o site, o receio de ver a família desestruturada pelo avanço da Polícia Federal motivou o lobista a buscar os investigadores em fevereiro deste ano. Contudo, a demora em oficializar os termos e a prioridade dada ao clã Camisotti podem deixar o “Careca” sem moedas de troca no processo judicial.

Caso o empresário paulista finalize as tratativas primeiro, o lobista perderá os benefícios da redução de pena, restando-lhe apenas o julgamento convencional por chefiar parte das entidades arrecadadoras. O advogado Eli Cohen reforça que Camisotti era o braço operacional mais capilarizado da fraude. Com a conclusão desse novo depoimento, os investigadores esperam desvendar o itinerário completo do dinheiro que saiu das folhas de pagamento do INSS diretamente para as contas de luxo dos gestores em São Paulo.

Crédito Revista Oeste

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