Cúmplice de Vorcaro antecipou investigações sigilosas do MPF

Mensagens revelam que ‘Sicário’ enviou arquivos sobre o Banco Master e o BRB quatro meses antes da prisão do empresário

O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, obteve acesso privilegiado a apurações sigilosas do Ministério Público Federal (MPF) muito antes de ser detido pela Polícia Federal. Segundo reportagem do jornal O Globo, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido no submundo do crime cibernético como “Sicário”, encaminhou ao banqueiro três procedimentos confidenciais em julho de 2025. O material, extraído de sistemas restritos, detalhava a investigação sobre a nebulosa transação entre o Master e o Banco de Brasília (BRB), operação classificada pela Justiça como um negócio de “pura camaradagem”.

A perícia no celular de Daniel Vorcaro comprovou que o envio dos arquivos em PDF ocorreu quatro meses antes de sua tentativa de fuga para Dubai, frustrada no Aeroporto de Guarulhos em novembro de 2025. Entre os documentos antecipados ao banqueiro, figurava uma apuração sobre o uso de um triplex de R$ 60 milhões em São Paulo como suposta propina para viabilizar o acordo com o banco estatal.

Espionagem contra o Estado e suspeita de vazamento

O alcance da milícia digital de Daniel Vorcaro superou as fronteiras nacionais. Além de infiltrar-se no sistema do MPF e da Polícia Federal, o grupo realizou consultas indevidas em terminais de organismos internacionais, incluindo o FBI e a Interpol. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça destacou na decisão que autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero que Sicário utilizava credenciais funcionais de terceiros para extrair dados estratégicos. Mourão, que recebia R$ 1 milhão mensais do banqueiro para executar o monitoramento ilegal, possuía uma vasta ficha criminal por estelionato e crimes cibernéticos em Minas Gerais.

A precisão das informações em posse da defesa de Daniel Vorcaro reforça as suspeitas de que a própria ordem de prisão sofreu vazamento. No dia 17 de novembro, apenas 18 minutos depois de o juiz Ricardo Leite assinar o mandado, os advogados do banqueiro protocolaram uma petição para tentar barrar medidas cautelares sob a justificativa de evitar “prejuízos irreversíveis” ao banco. A estratégia envolvia “esquentar” informações colhidas ilegalmente nos sistemas da PF por meio de notas na imprensa para, em seguida, acionar o magistrado. Enquanto a instituição enfrentava notificações do Banco Central por riscos de liquidez e irregularidades contábeis, Vorcaro financiava uma estrutura paralela de inteligência para tentar blindar o Master do rigor da lei.

Crédito Revista Oeste

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