Advogados alegam falta de acesso ao processo e outras irregularidades em manobra para punir ‘vazamento’ de dados no caso Master
A defesa do contador Washington Travassos de Azevedo ingressou com uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a falta de acesso a detalhes do processo e pontos relacionados à sua prisão, realizada no último dia 13, no âmbito de uma investigação sobre vazamento de dados sigilosos de autoridades.
Segundo a defesa, o depoimento prestado por Washington à Polícia Federal no dia da prisão indicaria uma “participação diminuta” no caso, além de afastar qualquer vínculo com organização criminosa voltada à obtenção ilegal de dados fiscais.
Contador: identidades desconhecidas
No interrogatório, o contador admitiu ter solicitado, por meio de um despachante, dados fiscais vinculados a dois CPFs. Afirmou, contudo, que desconhecia a identidade das pessoas à época e explicou as razões do pedido.
Ele nega envolvimento no suposto esquema mais amplo citado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que investiga o acesso indevido a mais de 1,8 mil declarações de Imposto de Renda. No pedido que embasou a prisão, a PGR apontou Washington como “um dos mandantes” na cadeia de obtenção dessas informações, em um esquema que teria operado entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026, atingindo inclusive pessoas ligadas a ministros do STF.
A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, uma semana depois da autorização para uma operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca e apreensão contra suspeitos de participação no vazamento. O contador esteve entre os alvos dessas diligências.
A investigação tem como foco um suposto esquema estruturado para acessar dados fiscais de autoridades. Entre os pontos centrais está o suposto vazamento de informações da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes, cujo escritório recebeu R$ 129 milhões do Banco Master a título de serviços prestados.
O advogado Eric Cwajgenbaum, responsável pela defesa, afirma desconhecer os fundamentos para a manutenção da prisão, que já ultrapassa uma semana. Ele também questiona a determinação inicial de transferência do contador para um presídio federal em Brasília — medida que, segundo ele, não foi efetivada. Washington está preso no Rio de Janeiro.





