Mundo afora, partidos de direita têm ganhado força nas pesquisas para as próximas eleições. Em países como França, Reino Unido e Alemanha, o crescente descontentamento com anos de alta imigração, inflação elevada e políticas públicas vistas como distantes das necessidades da população têm refletido nas intenções de voto – favorecendo a liderança de grupos conservadores.
De acordo com análise publicada pelo The Wall Street Journal, a tendência é de que, se partidos progressistas não responderem a essas preocupações de forma que os eleitores considerem efetiva, o fortalecimento da direita venha a se consolidar, podendo alterar a governabilidade e as prioridades políticas tanto na Europa quanto nas Américas nos próximos anos.
A reportagem do jornal norte-americano conclui que a direita tem capitalizado cada vez mais eleitores descontentes com a imigração em massa e políticas de migração consideradas permissivas; inflação e estagnação econômica, que afetam especialmente a classe média e trabalhadores; crise de valores tradicionais, percepção de insegurança e aumento da criminalidade em áreas urbanas.
O fenômeno não se restringe à Europa. Nos Estados Unidos, líderes conservadores têm obtido apoio crescente, principalmente em regiões afetadas por crises econômicas ou insegurança. Na América Latina, governos e partidos de direita avançam em países como Chile, onde o eleitorado tem buscado alternativas diante da instabilidade econômica, insegurança, criminalidade e insatisfação com políticas progressistas.
Além do Chile, outros países latino-americanos registram crescimento do apoio a partidos e governos de direita. O WSJ menciona o Brasil, reconhecendo a força política da direita e sua influência sobre parte significativa do eleitorado, enquanto na Colômbia e no Peru o conservadorismo tem se fortalecido em meio a crises de segurança e escândalos de corrupção. No México, embora o governo atual seja de esquerda, movimentos regionais conservadores têm ganhado espaço, especialmente em questões de segurança e economia.
Na França, o Reagrupamento Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen e pelo jovem Jordan Bardella, aparece consistentemente à frente nas pesquisas. O partido anunciou recentemente que votará contra o governo na próxima sessão de confiança da Assembleia Nacional, pressionando o atual presidente do país, Emmanuel Macron, a considerar novas eleições parlamentares. A estratégia evidencia a força da direita entre eleitores preocupados com segurança, imigração e preservação da identidade nacional.
No Reino Unido, o partido Reform UK, de Nigel Farage, registrou crescimento expressivo, superando tanto o Partido Trabalhista quanto os conservadores nas intenções de voto. O aumento da imigração legal e ilegal, somado a protestos sobre o uso de hotéis para abrigar migrantes, impulsiona o apoio ao partido, que defende controle mais rigoroso das fronteiras e políticas de segurança mais firmes.
Na Alemanha, o Alternativa para a Alemanha (AfD) ultrapassou recentemente a União Democrata Cristã (CDU) nas pesquisas, apesar da diminuição recente na imigração. O partido capitaliza a insatisfação com a recessão econômica, a percepção de políticas públicas ineficazes e o descontentamento com restrições à liberdade econômica. Entre suas propostas estão maior autonomia em relação à União Europeia e deportações de imigrantes em situação irregular.