Ele apresentou o irmão, Flávio, no Conservative Political Action Conference (CPAC), que se insere em projeto de aproximação do pré-candidato com a direita norte-americana
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve no irmão, Eduardo Bolsonaro, o principal articulador da aproximação com o campo conservador norte-americano, nesta visita feita aos Estados Unidos, no sábado, 28.
Ele foi apresentado por Eduardo na conferência Conservative Political Action Conference (CPAC), realizada em Dallas, no Texas. A viagem é mais uma etapa nesta busca de fortalecer a parceria. Em fevereiro, Flávio havia se reunido com o deputado republicano Jim Jordan no Congresso dos EUA em janeiro, buscando unificar a direita.
Desta vez, Flávio foi chamado ao palco pelo próprio Eduardo, que se referiu a ele como “ex-deputado federal em exílio”. Antes de introduzir o irmão, Eduardo mostrou que gravava o momento com o celular e disse que enviaria o vídeo ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar em Brasília.
Licenciado do mandato de deputado federal, Eduardo passou a viver nos EUA enquanto se tornou alvo de investigação e ação penal no Supremo Tribunal Federal. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes e apura acusação de que o parlamentar tentou pressionar autoridades brasileiras e interferir em processos ligados à investigação sobre a suposta tentativa de golpe depois as eleições de 2022.
Ele está sendo investigado por supostos crimes como coação no curso do processo e obstrução de investigação, ao buscar apoio de autoridades estrangeiras e possíveis sanções externas para, segundo a acusação, influenciar decisões da Justiça brasileira. Nos EUA, Eduardo tem sido bem recebido por alas conservadoras, tendo participado de outras edições da CPAC.
Diante de uma plateia formada majoritariamente por apoiadores do presidente dos EUA, Donald Trump, Flávio discursou em inglês por cerca de 15 minutos. Procurou relacionar a política brasileira ao debate conservador internacional e comparou a trajetória do pai à do presidente norte-americano.
“Esta é a encruzilhada que a América enfrenta: ou vocês têm o aliado mais poderoso do continente, ou um antagonista que se alinha com adversários americanos e torna sua política para a região impossível.”
No início da fala, o senador fez referência direta ao ex-presidente brasileiro. “Eu sei que vocês me olham e pensam que me reconhecem de algum lugar, provavelmente vocês estão pensando no meu pai, Jair Bolsonaro”, disse, lendo o texto exibido em teleprompter.
Na sequência, apresentou imagens do pai em diferentes momentos, entre os quais um encontro com Trump na Casa Branca, em 2019, além de participações anteriores na própria CPAC. Em tom de comparação entre os dois líderes, declarou:
“A acusação formal é similar à que o presidente Trump enfrentou: insurreição”, comparou o pré-candidato do PL. “Soa familiar?” Flávio ainda acrescentou: “Tentaram assassiná-lo, assim como tentaram fazer com Donald Trump. Não conseguiram. E agora ele está na prisão, assim como Donald Trump estaria se vocês não tivessem lutado com sucesso para salvá-lo. Nós brasileiros ainda estamos lutando.”
Críticas de Flávio Bolsonaro ao governo Lula
Na segunda parte do discurso, o pré-candidato criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem classificou como adversário político e alguém que, segundo ele, contraria interesses estratégicos dos EUA.
O senador exibiu uma foto de Lula ao lado do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro e afirmou que o governo brasileiro teria atuado para impedir que as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
“Ele usou lobby pesado com certos conselheiros americanos para evitar que os dois maiores cartéis de drogas do Brasil fossem classificados como organizações terroristas. Sim, o presidente do meu país faz lobby nos EUA para proteger organizações terroristas que oprimem meu povo e exportam armas, lavam dinheiro e exportam drogas para os Estados Unidos e o mundo”, afirmou.
Flávio também mencionou a disputa global por minerais estratégicos. Segundo ele, o Brasil pode ter papel relevante para reduzir a dependência norte-americana da China no processamento de terras raras.
“O Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido, porque o Brasil é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras.”
Durante o evento, uma jornalista estrangeira perguntou ao senador, em inglês, que lição os EUA poderiam tirar das eleições brasileiras. Sem compreender imediatamente o questionamento, Flávio pediu ajuda ao irmão, que traduziu a pergunta.
Depois de ouvir a explicação, respondeu em português e voltou a criticar o sistema eleitoral brasileiro. “Pode aprender como não se faz eleições, né?”. Em seguida, ele acrescentou. “Como nos EUA, há grandes suspeitas e provas de que houve fraude nas eleições. Conseguiram ser comprovadas [nos EUA], porque houve a possibilidade de investigação. No Brasil, nem isso é possível.”
O pré-candidato ressaltou: “É proibido até investigar se há algum problema no tocante a todo o processo eleitoral para que ocorra de forma mais segura e transparente.” Ao final, Flávio sugeriu que a jornalista utilizasse um tradutor automático para entender a resposta: “Just translate in Google”.
Flávio deixou claro que esta agenda de aproximação é fundamental. Para tanto, afirmou que pretende retornar ao evento no próximo ano já como presidente do Brasil e prometeu fortalecer a aliança entre conservadores brasileiros e norte-americanos.
“Trump 2.0 está sendo muito melhor que Trump 1.0, certo?” Depois da pergunta, o complemento. “Bolsonaro 2.0 também será muito melhor, graças à experiência adquirida durante a presidência do meu pai. E os EUA também terão seu aliado de volta.”





