Esquerda pressiona para barrar redução da maioridade penal

O deputado Tarcísio Motta (RJ), líder do PSOL, relatou que partidos como PT e PCdoB pressionam para manter a idade penal em 18 anos

Negociações políticas movimentam a Câmara dos Deputados nesta semana, com foco na possível retirada da proposta de redução da maioridade penal da PEC da Segurança Pública.

O deputado Tarcísio Motta (RJ), líder do Psol, relatou que partidos de esquerda, incluindo PT e PCdoB, pressionam para manter a idade penal em 18 anos, defendendo que a mudança para 16 anos é inaceitável.

Tarcísio Motta revelou que buscou apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tentar retirar esse ponto da PEC.

Segundo o parlamentar, Hugo Motta teria prometido dialogar com o relator da proposta, Mendonça Filho (União-PE), no intuito de chegar a um consenso para a votação.

No entanto, Mendonça Filho negou qualquer pedido formal de Hugo Motta sobre o tema.

Líder do Psol reconhece dificuldades para impedir votação

Tarcísio Motta reconheceu a dificuldade da esquerda em reunir votos suficientes para impedir a aprovação da redução da maioridade penal. Por isso, o grupo tenta negociar a exclusão desse item da PEC.

“Imagino que eles tenham votos para aprovar; o problema é que não entraremos em nenhum acordo se esse tema estiver na PEC”, afirmou o parlamentar ao jornal O Estado de S. Paulo. “Para nós isso é inadmissível.”

Mendonça Filho, por sua vez, reafirmou a intenção de manter a proposta original no texto, alegando que partidos podem destacar o trecho e votá-lo separadamente.

O relator defende que o Brasil está desalinhado do padrão internacional ao manter a maioridade penal em 18 anos, citando exemplos de legislações mais rígidas nos Estados Unidos e na França.

Ele justifica a mudança como uma forma de combater o recrutamento de menores pelo crime organizado.

De acordo com Mendonça Filho, “o que acontece é que eles cumprem medidas sociais e, quando a pena termina, não têm sequer o crime anotado na chamada ‘ficha corrida’”.

“É um incentivo para que mais jovens sejam seduzidos a cometer crimes violentos”, completou. “Eles têm maturidade e plena consciência de seus atos.”

Maioridade penal

A PEC prevê que jovens condenados por crimes violentos, como homicídio e estupro, cumpram pena em unidades separadas, tanto de adultos quanto de adolescentes envolvidos em delitos leves, com o objetivo de evitar o contato entre perfis distintos.

Outro ponto importante determina que a redução da maioridade penal só será efetivada se for aprovada em referendo previsto para 2028.

Encaminhada ao Congresso pelo governo Lula, em abril de 2025, a proposta está em fase final de análise por uma comissão especial.

Entre as possíveis mudanças, Mendonça Filho sugeriu endurecer as regras para progressão de regime, restringindo benefícios a condenados por feminicídio e crimes contra pessoas vulneráveis, incluindo crianças.

Crédito Revista Oeste

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