Franklin Martins atuou no segundo mandato do presidente e participou, nos anos 1960, do sequestro do embaixador norte-americano no Brasil
O ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre 2007 e 2010, Franklin Martins, foi deportado do Panamá na última sexta-feira, 6. Martins, conforme relata a Folha de S.Paulo, fazia conexão rumo à Cidade da Guatemala, onde participaria de um evento, mas, segundo ele, não recebeu explicações das autoridades locais sobre a deportação.
Martins relatou que, ao desembarcar no aeroporto da Cidade do Panamá, dois policiais à paisana conferiam passaportes. Ao identificarem seu documento, pediram que o acompanhasse, sem detalhar o motivo da medida.
O ex-ministro tem histórico que chama atenção de autoridades internacionais. Em 1969, durante a ditadura militar no Brasil, ele participou do sequestro do embaixador dos Estados Unidos (EUA) no país, Charles Burke Elbrick, uma operação organizada por grupos de guerrilha como a Ação Libertadora Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).
O objetivo era pressionar o regime militar a libertar, entre outros, os líderes estudantis José Dirceu e Vladimir Palmeira. Martins esteve diretamente envolvido, ao dirigir um dos carros usados na operação e colaborar na redação da carta de exigências entregue às autoridades.
Ex-ministro de Lula atuou como jornalista
O episódio acabou com a libertação dos presos políticos e a saída dos guerrilheiros do país. Décadas depois, a participação de Martins gerou restrições de entrada em países como os EUA, que classificam sequestros como crimes graves e mantêm alertas de imigração sobre participantes.
Panamá e EUA têm reforçado parceria nas áreas de migração e segurança interna. O atual presidente, José Raúl Mulino, do partido Realizando Metas (RM), de direita, foi eleito em 2024.
Depois do sequestro e do exílio, Martins foi beneficiado pela Lei da Anistia de 1979, aprovada pelo governo brasileiro, que extinguiu responsabilidades legais, incluindo atos terroristas cometidos durante o período militar. Ele retomou sua carreira jornalística. Trabalhou em veículos de como a TV Globo e o Jornal do Brasil. Mais tarde, aproximou-se do PT e entrou na esfera pública.





